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Um lugar de brandura nesse mundão

19 jan 2022 - 15h28
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Ê mundão. Observo a dinâmica desse nosso mundão atual. O que vejo é espetáculo de sensações fortes, comportamentos agitados. Como alguém da senda espiritualista, ligada à sensibilidade, entendo ser necessária uma reeducação para nossa época, resgate da arte e do fervor de saborear as coisas e os seres em suas dimensões mais profundas.

Temo que muitos jovens e adultos se comportem no mundo como se fossem donos e senhores, sem estabelecer relações de doçura e receptividade. Fechados no casulo da eletrônica (Rede Social como aprendemos a chamar de alguns anos para cá) e demais progressos tecnológicos, afogados em devaneios virtuais, esquecidos da vida interior, de como extrair sumo e sabor.

Que fazer? Proponho três exercícios. Difíceis, mas não impossíveis, necessários para escapar da banalidade circundante. Vamos ver:

Exercício 1: O primeiro ato a praticar para modificar a qualidade da relação com o mundo é dar tempo a si mesmo. Tornar mais lento os ritmos, estancar a sucessão trepidante de acontecimentos. É na tranquilidade que fruímos a densidade do presente e podemos elaborar as emoções profundas, aquelas que penetram fundo na alma e a convidam a crescer.

Exercício 2: Assumir uma postura de disponibilidade. Desenvolver interesse pelas coisas, mesmo pequenas e aparentemente insignificantes. Entender a força dos prazeres minúsculos é aprender a viver melhor as possibilidades do cotidiano. Uma paisagem, um filme, jogar com uma criança, o aroma do sabonete, uma canção, coisas que estão ao nosso dispor com facilidade. Não custam quase nada e revelam as gigantescas belezas e qualidades emocionais do mundo.

Exercício 3: Aprimorar uma atitude de brandura. O século XX foi de espírito forte e violento, de desbravadores e empreendedores. Sua identidade era ligada a adiantamentos técnicos, conquistas práticas, desenvolvimentos materiais. Nossa missão é outra, diferente. Há, como ensina a sabedoria popular, tempo de plantar e tempo de colher. Estamos no segundo estágio, herdeiros de tamanha agitação

precisamos trabalhar para frutificar a meiguice, a leveza, a delicadeza, o desprendimento, a ternura.

Perceba que são muitas as dádivas que recebemos. Vamos ser delas merecedoras. Construir uma vida melhor para nós e para as gerações depois da nossa. Vida com mais brandura. Simples assim.

Quer saber mais sobre o trabalho de Marina Gold ou entrar em contato com ela, clique aqui.

Fonte: Marina Gold
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