Aprenda a olhar a verdade espiritual pelo espelho interior
"Há alguém mais bonita do que eu?" Conhecemos a pergunta e seu contexto, sabemos bem a resposta. Essa passagem é apenas uma - entre tantas de coloração mais ou menos mítica - a colocar o espelho, repleto de significados e conexões simbólicas, sob investigação.
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Espelho. Objeto simples e misterioso ao mesmo tempo. Branco aço terrível ou prateada cintilação agradável? Ecoar de identificações ou dúvidas, seguranças ou angústias, descobertas ou ódios.
Refletindo ele entrega e entregando ele ganha poder. Perseu, o grande, se serve dele para emboscar e destruir a horripilante Medusa - com seus assustadores cabelos de serpente. Narciso, o frágil, infelizmente nele se aprisiona irrevogavelmente, tal como Ícaro batendo asas, desmesurado, para as profundezas de seu amor egoísta e autorreferente.
Polido, liso, vazio, é superfície que pode tudo conter, todas as imagens reverberar. Sua natureza secreta e terrível é funcionar como contrapartida da verdade espiritual. Explico. A verdade espiritual - refletida unicamente no espelho intangível da alma, interditada aos olhos e demais sensorialidades humanas - é linha de subida, cresce na medida em que vamos amadurecendo carmicamente. Já a outra verdade, seu oposto, a do corpo - perigosamente mal compreendida - vai em sentido oposto. Por mais que neguemos com todas as forças, é inevitável que ela termine em decadência e degenerescência. Pura ilusão acreditar que do corpo algo se leve.
Que meio temos para comprovar essa sábia verdade? Ele mesmo, espelho que miramos e que nos devolve essa mirada, rindo de nossas tristes ilusões, dolorosos enganos: "eu devoro tua triste esperança de que o tempo se detenha".
Quando for checar se os brincos caíram bem, se o nó da gravata está conveniente, se o penteado está de acordo, não se deixe engolir. Faça-o consciente da transformação que se processa sobre qualquer e toda matéria.
Reserve os longos momentos de contemplação para dedicar ao espelho interior - você vai intuitivamente aprender a fazê-lo. Ele sim seu amigo para essa vida (e além). O outro, tão vulgar que normalmente está pelos banheiros, elevadores, lojas e cabeleireiros - não se iluda - é inimigo, cobra-nos uma beleza artificial impossível que se torna mais frustrante com o avançar dos anos. Esse espelho material deve ser respeitado (como tudo aquilo que indica perigo), mas tratado com brevidade e sem que acreditemos muito na sua importância.
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