Caminhar não é exercício: 10 mil passos diários são inúteis se não forem dados corretamente
Caminhar em ritmo lento pode ser a pior estratégia para alcançar algo positivo em nossos corpos
Durante anos, o mantra da saúde pública girou em torno de algo muito simples: caminhar. Qualquer pessoa com pressão alta, diabetes ou qualquer outra doença crônica recebia como "tratamento" a prescrição de caminhadas, com o mantra dos 10 mil passos como pano de fundo. Mas a realidade é que algumas vozes querem derrubar radicalmente esse conceito.
As críticas
Felipe Isidro, professor de Ciências da Atividade Física e do Esporte, acertou em cheio ao apontar que caminhar não é exercício, mas sim um ato de vaguear. Para esse especialista, prescrever "caminhar" a um paciente é tão útil quanto lhe dizer para respirar, porque, logicamente, caminhamos todos os dias para ir de um lugar a outro (a menos que estejamos imobilizados). E para ele, dar menos de 120 passos por minuto é ineficiente.
E a ciência corrobora isso em diversos estudos, porque a biologia humana é extremamente eficiente: se um esforço não representa um desafio, o corpo não investe energia em adaptação. Isso é o que a ciência chama de "estímulo insuficiente".
Por exemplo, o estudo LITE analisou pessoas que faziam caminhadas de baixa intensidade e descobriu algo bastante frustrante: em testes de resistência e capacidade funcional, os resultados daqueles que caminhavam lentamente foram praticamente idênticos aos do grupo de controle que não fez nada. E faz sentido, já que para o corpo, esse nível de atividade era ruído de fundo, não exercício. É literalmente como vagar sem rumo.
A regra x3
Se compararmos uma caminhada casual ...
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