Carnaval e Orixás: o guia para entender os enredos dos desfiles
Descubra o significado espiritual por trás das cores, batidas e rituais da avenida
Todos os anos, escolas de samba exaltam o axé e homenageiam elementos de matriz africana. Quando uma escola de samba entoa um ponto em forma de samba-enredo, a avenida se transforma em um imenso terreiro a céu aberto. É um ritual público de celebração à nossa ancestralidade.
Você já reparou quando a bateria faz aquela paradinha estratégica e o público inteiro grita o nome de um Orixá? Não é apenas um refrão chiclete para ganhar o jurado; é uma convocação espiritual.
Mas, em meio ao brilho e às plumas, é comum o folião se sentir perdido. Entender quem é quem nas alegorias ajuda você a identificar a força que rege a Rainha de Bateria e a mensagem do Abre-alas.
O quem é quem na Avenida: Guia de campo
Para você não perder nenhum detalhe do espetáculo, preparamos um guia rápido para identificar as principais divindades que riscam o chão da folia:
Exu: O dono dos caminhos
Quase sempre, ele é o protagonista da Comissão de Frente ou aparece logo no início do desfile. Exu é quem abre os caminhos.
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O que observar: Movimentos ágeis, danças vigorosas, as cores vermelho e preto, e a função simbólica de "limpar" o trajeto para a escola passar com segurança.
Oxum e Iemanjá: As donas do fluxo
As rainhas das águas aparecem em carros alegóricos que trazem espelhos, fontes de água real e tons de azul, dourado ou prateado.
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O que observar: A delicadeza dos movimentos das baianas e a força feminina que rege a harmonia e a fertilidade da agremiação.
Ogum e Xangô: A lei e a ordem
Aparecem em enredos que falam sobre lutas sociais, justiça, vitórias sobre demandas e superação de obstáculos.
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O que observar: Elementos como armaduras, espadas, machados e cores como azul marinho, marrom e branco. Representam a força que protege o pavilhão.
Etiqueta e respeito: O sagrado na folia
O Carnaval é o momento em que o sagrado "brinca" na rua, mas isso não exclui o respeito. É importante entender a diferença entre fantasia e fundamento. O figurino de um desfile é uma representação artística; já as guias e contas consagradas são objetos de proteção religiosa.
Se você não é da religião, evite usar guias como simples acessórios de moda. Respeite o pavilhão e as imagens, tratando-as com a reverência que uma divindade merece.
Para quem assiste e quer entrar na sintonia, as cores que você veste também atraem energias específicas:
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Branco: Atrai paz, proteção e a benção de Oxalá.
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Amarelo: Atrai prosperidade e o brilho de Oxum.
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Vermelho: Atrai a vitalidade e a proteção de Ogum ou Iansã.
A alma do samba fala iorubá
O Carnaval é considerado o maior espetáculo da Terra justamente porque possui alma. E essa alma, em grande parte, fala iorubá e reverencia as raízes africanas que moldaram nossa cultura. Assistir a um desfile com esse olhar atento transforma a diversão em uma experiência de conexão espiritual profunda.
Agora que você já entendeu o poder e o axé que regem a avenida, precisa garantir que seu corpo aguente a intensidade da celebração. No próximo artigo, veja como manter a energia física lá no alto com nosso guia de biohacking para foliões!
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