Nos EUA, bebê de 18 meses preso pelo ICE volta à detenção após atendimento de emergência
Nos Estados Unidos, a polícia de imigração (ICE) volta ao centro de um caso que causa indignação. Uma menina de 18 meses, detida com seus pais pelo serviço, adoeceu enquanto estava atrás das grades. Seu estado exigia uma hospitalização de emergência. Ainda assim, ela foi enviada de volta ao centro de detenção alguns dias depois, sem o tratamento médico adequado.
Ela se chama Amalia, tem apenas 18 meses e, ainda assim, em dezembro passado, estava presa com os pais em Dilley, no Texas, no muito criticado centro de detenção para migrantes. A família foi detida em 11 de dezembro, após uma simples consulta administrativa com as autoridades.
No início de janeiro, a pequena Amalia ficou doente. Sua febre passou dos 40 graus. Ela vomitava, respirava com dificuldade e seu estado se deteriorava rapidamente. Seus pais a levaram à enfermaria do centro de detenção oito ou nove vezes, mas a menina recebeu apenas medicamentos básicos para baixar a febre. Em meados de janeiro, seu nível de oxigênio no sangue estava alarmante e colocava sua vida em risco.
Transferida às pressas para o hospital
Amalia foi transferida de emergência para o hospital em 18 de janeiro, onde ela e sua mãe permaneceram sob vigilância constante dos agentes do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE). O pai teve de ficar no centro de detenção, sem poder se comunicar com a esposa e a filha.
Os médicos diagnosticaram pneumonia, Covid‑19 e um quadro grave de insuficiência respiratória. Ela ficou hospitalizada por dez dias, recebendo oxigênio, e perdeu quase 10% do peso corporal. Mas, ao receber alta, a criança foi enviada de volta ao centro de detenção, e seus medicamentos e equipamentos médicos foram retirados.
Família é libertada após recurso de emergência
A família só foi libertada na sexta‑feira (6), após um recurso de emergência apresentado por Elora Mukherjee, professora da Faculdade de Direito de Columbia e diretora da clínica de direitos dos imigrantes da instituição.
Os pais de Amalia, Kheilin Valero Marcano e Stiven Arrieta Prieto, chegaram aos Estados Unidos em 2024 depois de fugir da Venezuela. Alegando perseguição política em seu país, eles solicitaram asilo para eles e para a filha, que nasceu no México durante a jornada rumo aos EUA.
Segundo o recurso, eles cumpriram todas as exigências e compareceram regularmente aos serviços de imigração. Foi durante um desses controles que foram detidos.
Com AFP