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'Gosto de gringos francos' e 'Você é ótimo': as trocas de elogios entre Trump e Petro após aguardada reunião na Casa Branca

Após meses de uma relação conflituosa, presidentes dos EUA e Colômbia tiveram um encontro cordial, em que discutiram o combate ao tráfico de drogas e situação da Venezuela.

3 fev 2026 - 22h17
(atualizado às 23h07)
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Petro e Trump estão sentados no Salão Oval, lado a lado. Petro sorri e Trump olha para o lado.
Petro e Trump estão sentados no Salão Oval, lado a lado. Petro sorri e Trump olha para o lado.
Foto: Anadolu via Getty Images / BBC News Brasil

Depois de meses de uma relação marcada por conflitos, o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, fez sua primeira visita oficial ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na Casa Branca, nesta terça-feira (3/2).

O encontro aconteceu a portas fechadas, sem a presença da imprensa — algo incomum, mas não inédito — e declarações conjuntas ao final.

Os dois líderes se falaram por cerca de duas horas e discutiram temas centrais como o combate ao tráfico de drogas, sanções e a situação da Venezuela.

Após a reunião, eles trocaram elogios e disseram que a conversa foi cordial.

"Nos demos muito bem. Ele e eu não éramos exatamente melhores amigos. Mas não me senti insultado, porque não o conhecia", disse Trump em conversa com a imprensa no Salão Oval.

Petro, por sua vez, disse que foi uma honra estar nos Estados Unidos e afirmou gostar de "gringos francos" ao ser questionado se Trump lhe havia causado boa impresssão.

"Está sendo aberto um caminho onde pessoas diferentes, regimes diferentes, formas diferentes de pensar, poderes diferentes [...] possam se encontrar. Não há necessidade de confrontos", declarou o presidente colombiano.

Ele acrescentou que se tratava de "um encontro entre pessoas diferentes, sem qualquer tipo de humilhação".

O encontro representa uma clara redução das tensões entre os presidentes e marca uma mudança em relação ao clima que predominava desde o início do segundo mandato do presidente americano.

Meses atrás, Trump chamou Petro "traficante de drogas" e o acusou de fazer parte do problema do narcotráfico na América do Sul. Em resposta, o presidente colombiano disse que seu homólogo americano era rude e ignorante.

Trump escreveu uma dedicatório para Petro em seu livro e disse que presidente colombiano "é ótimo"
Trump escreveu uma dedicatório para Petro em seu livro e disse que presidente colombiano "é ótimo"
Foto: Gustavo Petro/X / BBC News Brasil

Durante o encontro, o presidente colombiano teve a oportunidade de apresentar a Trump os resultados de sua política antidrogas, um dos principais pontos de discórdia entre Washington e Bogotá.

Ele também defendeu a possibilidade de fazer "um pacto entre forças opostas" e destacou o simbolismo do encontro.

"O presidente dos Estados Unidos recebeu um presidente latino-americano em sua residência, e discutimos problemas específicos e caminhos conjuntos para resolvê-los", afirmou em entrevista após a reunião.

Petro também usou as redes sociais para mostrar os presentes recebidos por Trump durante o encontro.

Em uma publicação no X, ele compartilhou a foto de um exemplar do livro Trump: A Arte da Negociação, com uma dedicatória escrita pelo presidente americano. "Você é ótimo", escreveu Trump em inglês, acompanhado de sua assinatura.

O presidente colombiano ainda divulgou uma segunda foto com uma mensagem de Trump junto a uma foto dos dois no Salão Oval. No texto, o presidente dos Estados Unidos escreveu: "Gustavo, uma grande honra. Amo a Colômbia".

Analistas consultados pela BBC Mundo indicaram que a relação entre Petro e Trump, assim como o resultado da reunião, podem ter uma influência significativa nas próximas eleições presidenciais, que acontecem em maio.

Foto publicada por Petro no X mostrando presente recebido por Trump
Foto publicada por Petro no X mostrando presente recebido por Trump
Foto: Gustavo Petro/X / BBC News Brasil

Lista de chefões do narcotráfico

Em coletiva de imprensa na Embaixada da Colômbia em Washington, Gustavo Petro afirmou ter entregado a Donald Trump uma lista com os nomes das pessoas que considera "os chefões dos chefões" do narcotráfico internacional.

O presidente colombiano declarou que esses chefes do crime organizado não operam em áreas rurais nem portam fuzis, mas "vivem em Dubai, Madri, Miami" e administram seus bens fora da Colômbia.

Embora não tenha dado detalhes sobre a quem se referia, ele afirmou que seus nomes "são conhecidos pelas agências americanas" e que devem ser perseguidos por meio da colaboração internacional de inteligência.

O narcotráfico foi um dos principais temas discutidos no encontro. Petro afirmou ter notado uma "confusão" do presidente americano sobre o assunto.

"Diferentes perspectivas sobre o problema, algumas agressivas, outras talvez mais construtivas", disse.

Nesse contexto, Petro defendeu uma estratégia antidrogas centrada em atacar as estruturas financeiras e logísticas do narcotráfico, e não apenas os elos armados.

Como exemplo do que chamou de abordagem estratégica, ele mencionou que, em coordenação com a inteligência naval colombiana e a DEA, foram apreendidas recentemente 15 toneladas de cocaína em dois dias, incluindo a interceptação de um submarino próximo às Açores, ressaltando que "ninguém morreu" nessas operações.

No âmbito econômico, Petro defendeu a reabertura e revitalização das fronteiras como instrumento para combater o narcotráfico.

Ele lembrou que o comércio legal entre Colômbia e Venezuela aumentou significativamente após a reabertura da fronteira, e que "quando a fronteira estava fechada, a mercadoria mais comercializada entre os dois países era a cocaína"

A Venezuela também foi um dos assuntos do encontro.

Petro afirmou ter percebido sinais de "otimismo" mesmo em um contexto que ele classificou como de "profunda tensão" entre os EUA e a América Latina.

"Analisamos como a Venezuela poderia ser reativada com a ajuda da Colômbia, ao longo de sua fronteira, em sua vizinhança... E qual o papel dos EUA."

A relação conflituosa entre Trump e Petro

O presidente Gustavo Petro conseguiu viajar para os EUA graças a um visto especial de cinco dias concedido pelo Departamento de Estado.

Os EUA revogaram os vistos do presidente colombiano e de outros membros de seu governo depois que ele fez um discurso em uma rua de Nova York no final de setembro.

Durante o discurso, Petro criticou Israel e os EUA por seu papel na guerra em Gaza.

Na época, o Departamento de Estado descreveu as palavras de Petro como "uma ação imprudente e inflamatória".

Semanas depois, Petro, juntamente com sua esposa, Verónica Alcocer, seu filho mais velho, Nicolás Petro, e o Ministro do Interior, Armando Benedetti, foram sancionados e adicionados à chamada "Lista Clinton" pelo Departamento do Tesouro dos EUA.

Essa lista inclui indivíduos designados por Washington como suspeitos de envolvimento com o narcotráfico.

Em entrevista após o encontro, Petro negou que tenha falado com Trump sobre as sanções.

Petro durante discurso em Nova York que desencadeou uma série de conflitos com Trump
Petro durante discurso em Nova York que desencadeou uma série de conflitos com Trump
Foto: Reuters / BBC News Brasil

Desde que Trump retornou à Casa Branca, em janeiro de 2025, sua relação com Petro tem sido turbulenta.

Em pouco mais de um ano, eles entraram em conflito público sobre políticas de imigração, o combate às drogas e a situação na Venezuela.

Em setembro do ano passado, Washington retirou a certificação de aliado antidrogas da Colômbia pela primeira vez em três décadas e retirou subsídios e pagamentos ao país.

Na ocasião, Trump acusou Petro de não fazer o suficiente para impedir que a cocaína colombiana chegue às ruas dos Estados Unidos e o chamou de "traficante de drogas" em uma publicação na rede social Truth Social.

Petro respondeu, em um post no X, afirmando que o presidente americano estaria sendo "enganado por seus assessores".

"Recomendo que Trump observe a Colômbia com atenção e determine de que lado estão os narcotraficantes e de que lado estão os democratas."

A troca de farpas aconteceu após Petro acusar Washington de violar a soberania colombiana e supostamente matar um pescador colombiano durante um ataque realizado contra uma embarcação em águas territoriais colombianas.

No início janeiro, após a captura de Nicolás Maduro durante uma operação militar em Caracas, Trump voltou a atacar e disse que uma ação semelhante na Colômbia "seria uma boa ideia".

Petro respondeu insinuando uma disposição para pegar em armas novamente, se referindo ao seu passado como guerrilheiro, e convocou grandes marchas pela soberania colombiana.

Foi durante a marcha em Bogotá que ele anunciou ter conversado com Trump e que se encontrariam na Casa Branca.

Com informações de José Carlos Cueto, correspondente da BBC Mundo na Colômbia.

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