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Xi Jinping prega cooperação comercial, mas alerta Trump sobre Taiwan

Líderes concordaram que relações devem ser estáveis, mas presidente chinês alertou que divergências sobre Taiwan podem levar a "conflito"

14 mai 2026 - 07h10
(atualizado às 08h58)
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´É uma honra ser seu amigo’, diz Trump para Xi Jinping durante encontro na China:

O presidente da China, Xi Jinping, elogiou nesta quinta-feira, 14, um "novo posicionamento" alcançado nas relações com os Estados Unidos após sua reunião com seu homólogo americano, Donald Trump, em Pequim, descrita pelo republicano como "a maior cúpula de todas".

Os dois líderes concordaram que as relações entre os países devem permanecer "construtivas, estratégicas e estáveis", em uma lógica de cooperação aliada a uma competição moderada. Xi, porém, advertiu que divergências sobre Taiwan podem levar a relação por um caminho perigoso e até resultar em conflito.

Trump foi recebido com pompa, mas chega com posição de negociação enfraquecida por guerra no Irã
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Foto: DW / Deutsche Welle

Trump está na China em sua primeira visita ao país desde sua própria passagem por Pequim, em 2017. As duas maiores economias do mundo enfrentam fricções que envolvem competição tecnológica e tarifária, a guerra no Irã e a delicada questão de Taiwan, cujo principal aliado é Washington.

Em comunicado, a Casa Branca classificou a reunião como "boa" e que "os dois lados discutiram formas de ampliar a cooperação econômica".

Divergências sobre Taiwan podem levar a "conflito"

Durante reunião a portas fechadas, Xi disse a Trump que, se a questão de Taiwan for bem administrada, as relações bilaterais terão "estabilidade geral". Caso contrário, os dois países correm o risco de entrar em conflito, segundo resumo divulgado por agências estatais chinesas.

"Se a situação for mal conduzida, os dois países podem entrar em confronto ou até mesmo em conflito, levando toda a relação entre a China e os EUA a uma situação extremamente perigosa", disse Xi, segundo a emissora CCTV.

Questionado se havia tratado do tema, Trump não respondeu enquanto posava para fotos com Xi após a cúpula. Taiwan também não foi mencionada no resumo divulgado pela Casa Branca.

A ilha, governada democraticamente, é reivindicada por Pequim e vem sendo cada vez mais armada pelos Estados Unidos. Na quarta-feira, a China reiterou sua forte oposição às vendas americanas de armamentos a Taiwan, enquanto Washington avalia liberar um novo pacote de 14 bilhões de dólares (R$ 70 bilhões). Pela legislação americana, os EUA são obrigados a fornecer meios de autodefesa à ilha, apesar da ausência de relações diplomáticas formais.

Joe Mazur, analista de geopolítica da consultoria Trivium China, afirmou que, embora Pequim já tenha usado advertências duras no passado, as declarações de Xi foram notáveis. "Ele está alertando o lado americano, sem rodeios, para não fazer besteira", disse.

Em nota, o governo taiwanês afirmou manter contato direto com a diplomacia americana e agradeceu o apoio de Washington. "Os EUA também reiteraram repetidamente sua posição firme e clara de apoio a Taiwan", disse Michelle Lee, porta-voz do gabinete do premiê.

Encontro marcado por nova dinâmica de poder

As advertências de Xi sobre Taiwan funcionaram como contraponto a um encontro marcado por pompa. Com os índices de aprovação abalados pela guerra com o Irã, a primeira visita de um presidente dos EUA ao principal rival estratégico e econômico do país em quase uma década ganhou peso adicional.

Após uma cerimônia com guarda de honra e crianças acenando flores e bandeiras no Grande Salão do Povo, Trump elogiou Xi ao iniciar conversas que duraram mais de duas horas.

"Você é um grande líder; às vezes as pessoas não gostam que eu diga isso, mas eu digo mesmo", afirmou Trump. "Há quem diga que esta pode ser a maior cúpula de todas."

A dinâmica de poder mudou desde a visita anterior de Trump, quando a China fez questão de comprar bilhões de dólares em produtos americanos, disse Ali Wyne, assessor sênior do International Crisis Group.

Trump chega às negociações em posição enfraquecida. Tribunais americanos limitaram sua capacidade de impor tarifas livremente sobre exportações da China e de outros países. A guerra com o Irã elevou a inflação doméstica e aumentou o risco de o Partido Republicano perder o controle de uma ou de ambas as Casas do Congresso nas eleições de meio de mandato, em novembro. Embora a economia chinesa tenha desacelerado, Xi não enfrenta pressões comparáveis.

Para Wyne, Trump agora reconhece esse status da China, ao retomar o termo "G2" — referência a um duopólio de superpotências — em encontro com Xi na Coreia do Sul, em outubro.

China prega comércio estável

O principal objetivo das negociações era manter a trégua comercial firmada em outubro passado, na qual Trump suspendeu tarifas de três dígitos sobre produtos chineses e Xi recuou de restringir o fornecimento global de terras raras.

Washington ainda busca vender aviões da Boeing, produtos agrícolas e energia à China para reduzir um déficit comercial que há anos irrita Trump. Pequim, por sua vez, quer que os EUA aliviem restrições à exportação de equipamentos para fabricação de chips e semicondutores avançados, segundo autoridades envolvidas no planejamento.

O presidente chinês afirmou que as conversas entre as equipes econômicas dos dois países, realizadas na Coreia do Sul na quarta-feira, alcançaram "resultados equilibrados e positivos", segundo o Ministério das Relações Exteriores chinês. Ainda não está claro se um acordo será fechado.

Segundo a agência estatal Xinhua, Xi afirmou que a nova orientação estratégica de estabilidade nas relações comerciais deve criar "limites para a competição" e garantir que "as diferenças sejam administradas". Ele acrescentou que ambos os lados devem usar canais políticos, diplomáticos e militares para assegurar esses objetivos.

A comitiva de Trump inclui CEOs que tentam resolver pendências com a China, entre eles o bilionário Elon Musk, dono do X, o CEO da Apple, Tim Cook, e o presidente da Nvidia, Jensen Huang. Trump havia dito que seu primeiro pedido a Xi seria que a China "se abrisse" à indústria americana. Após a reunião, Musk disse a repórteres que a conversa foi "maravilhosa".

Estreito de Ormuz deve permanecer aberto, diz Casa Branca

Os líderes ainda trocaram opiniões sobre as situações no Oriente Médio, na Ucrânia e na Península Coreana, segundo o comunicado chinês.

Já de acordo com nota da Casa Branca, os presidentes também concordaram que o Estreito de Ormuz deve permanecer aberto ao livre fluxo de energia. Xi também se opôs à implementação de pedágios para embarcações que cruzam o estreito, afirmou um funcionário da Casa Branca à agência AP. O líder chinês manifestou interesse em comprar mais petróleo dos EUA para reduzir a dependência do Golfo.

Trump e Xi discutiram ainda medidas para interromper o envio de precursores químicos do fentanil aos EUA e o aumento das compras chinesas de produtos agrícolas americanos.

Os dois líderes participarão mais tarde de um banquete de Estado, antes de tomar chá e almoçar juntos na sexta-feira.

Xi tem uma visita recíproca planejada, de forma provisória, para mais tarde neste ano — sua primeira ida aos Estados Unidos desde o início do segundo mandato de Trump, em 2025.

*Com agências AFP, AP, Reuters, OTS.

Deutsche Welle A Deutsche Welle é a emissora internacional da Alemanha e produz jornalismo independente em 30 idiomas.
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