Trump e Xi se encontram em meio à guerra no Irã e disputa por liderança global
Reunião em Pequim ocorrerá sob tensão comercial e embate de corrida tecnológica entre Estados Unidos e China
A visita do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, à China para se reunir com o presidente Xi Jinping, na noite desta quarta-feira, 13, concentra a atenção internacional em um momento de forte instabilidade geopolítica, já que o encontro acontece em meio à guerra no Irã, à disputa comercial entre Washington e Pequim e ao avanço da corrida tecnológica global, especialmente na área da inteligência artificial.
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A viagem marca a primeira visita de um presidente norte-americano à China em nove anos e ocorre após um adiamento provocado pela escalada do conflito no Oriente Médio. Inicialmente prevista para março, a reunião foi postergada por Trump sob a justificativa de priorizar a gestão da guerra envolvendo o Irã.
Segundo o Estado de S.Paulo, o conflito acabou enfraquecendo a posição dos Estados Unidos antes do encontro, já que a China é a principal compradora do petróleo iraniano e acompanha com preocupação os impactos da guerra sobre o Estreito de Ormuz, rota fundamental para o comércio global de petróleo.
Além da guerra no Oriente Médio, o encontro será marcado pela disputa comercial iniciada após o novo tarifaço imposto por Trump à China no começo de seu segundo mandato, em abril de 2025. Pequim reagiu restringindo a exportação de terras raras, minerais essenciais para as indústrias de defesa, semicondutores e tecnologia dos EUA, movimento que pressionou Washington e levou a Casa Branca a recuar parcialmente nas tarifas.
A China controla entre 80% e 90% da capacidade mundial de refino desses minerais. Por isso, o setor virou uma poderosa ferramenta de barganha diplomática.
Brasil e Taiwan
Outro ponto sensível da reunião envolve Taiwan. Trump afirmou que pretende discutir com Xi Jinping a venda de armas norte-americanas para a ilha, considerada pela China como parte inseparável de seu território. Pequim voltou a reforçar, nos últimos dias, a política de "uma só China" e reiterou oposição às negociações militares entre Washington e Taiwan.
A inteligência artificial também aparece como uma das pautas centrais do encontro. De acordo com o Estadão, apesar da rivalidade crescente, o avanço acelerado da IA pode abrir espaço para algum entendimento inédito entre as duas maiores potências do planeta. Trump embarcou acompanhado de empresários e executivos de grandes empresas de tecnologia, como Elon Musk e Tim Cook.
As disputas entre China e Estados Unidos também têm reflexos diretos sobre o Brasil. Dono da segunda maior reserva mundial de minerais críticos, atrás apenas da China, o país passou a ser visto como peça estratégica tanto por Washington quanto por Pequim.
O Brasil pode aproveitar a disputa entre as superpotências para ampliar exportações e fortalecer sua posição internacional, especialmente nos setores ligados às terras raras, energia e tecnologia. A aproximação recente entre Trump e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva também é interpretada dentro desse contexto de competição geoeconômica.
Apesar das tensões, o encontro entre Trump e Xi Jinping deve representar mais uma tentativa de administrar a rivalidade entre os dois países do que promover grandes acordos imediatos.
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