Em Pequim, Xi Jinping alerta Trump para risco de 'conflito' sobre a questão de Taiwan
Os presidentes da China e dos Estados Unidos encerraram nesta quinta-feira (14) as conversas da cúpula bilateral, durante a visita de três dias de Donald Trump a Pequim. Segundo a televisão estatal chinesa, Xi Jinping advertiu que a China e os Estados Unidos poderiam entrar em "conflito" caso Washington conduzisse mal a questão de Taiwan.
O presidente americano foi recebido pelo líder chinês no Palácio do Povo, símbolo do poder em Pequim, ao lado da Praça Tiananmen, decorada com as cores das bandeiras chinesa e americana. De acordo com jornalistas que acompanham a visita, os dois líderes conversaram por cerca de duas horas e 15 minutos, após uma recepção militar.
No início do encontro, Trump, que acredita fortemente no peso das relações pessoais entre líderes e afirma ter proximidade com Xi, declarou ser uma "honra estar ao (seu) lado" e "uma honra ser (seu) amigo". Além de Taiwan e da economia, Xi Jinping e Donald Trump discutiram o conflito no Oriente Médio, a guerra na Ucrânia e a situação na península coreana. "As relações entre a China e os Estados Unidos vão ser melhores do que nunca", chegou a afirmar Donald Trump.
Sobre Taiwan, o presidente chinês usou um termo em mandarim que não se refere necessariamente a um conflito militar, mas que também pode indicar oposição firme ou confronto diplomático e político.
"A questão de Taiwan é a mais importante nas relações sino-americanas. Se for bem tratada, as relações entre os dois países poderão permanecer globalmente estáveis. Se for mal conduzida, os dois países entrarão em choque, ou até mesmo em conflito", declarou Xi Jinping.
Em reação, o governo de Taiwan afirmou que a China representa "o único risco" para a paz regional. Em comunicado, o Ministério das Relações Exteriores taiwanês citou como exemplos o "assédio militar" chinês ao redor da ilha e na região, além das chamadas táticas de zona cinzenta - manobras coercitivas que não configuram atos de guerra.
O governo taiwanês também declarou que os Estados Unidos reiteraram, durante o encontro, seu "apoio claro e firme" à ilha democrática.
A questão taiwanesa
A China considera Taiwan uma de suas províncias e afirma não ter conseguido "unificá‑la" ao restante do território desde o fim da guerra civil chinesa, em 1949. Pequim defende uma retomada pacífica, mas não descarta o uso da força.
Washington não mantém relações diplomáticas oficiais com Taipé desde 1979, quando reconheceram a República Popular da China como o governo legítimo da China. Apesar disso, os dois lados mantêm uma relação estreita, porém não oficial, baseada em comércio, segurança e intercâmbios culturais. Esses vínculos são estruturados pela lei americana chamada Taiwan Relations Act, que permite cooperação sem reconhecimento diplomático formal. Os Estados Unidos são os principais fornecedores de armas da ilha, o que desagrada as autoridades chinesas, que veem nessa política uma violação da soberania nacional. "O independentismo taiwanês é incompatível com a paz no Estreito de Taiwan", afirmou Xi Jinping, em referência à faixa marítima que separa a ilha da China continental.
Desde 2016, com a ascensão ao governo de Tsai Ing‑wen em Taipé e, depois, de Lai Ching‑te, em 2024, Pequim intensificou as manobras militares ao redor de Taiwan.
Continuação da visita oficial
Após as primeiras conversas, Donald Trump visitou o Templo do Céu, sítio histórico inscrito no patrimônio mundial da humanidade. Para analistas, a escolha do local teve forte simbolismo: sob as dinastias imperiais, os imperadores chineses iam até o templo para rezar por boas colheitas e reafirmar sua legitimidade.
Os dois líderes voltam a se reunir na sexta-feira (15), quando Xi Jinping tomará chá e almoçará com Donald Trump.
RFI com agências
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