Estados Unidos: para os moradores de Minneapolis, a retirada de 700 agentes do ICE não é suficiente
O emissário de Donald Trump, Tom Homan, anunciou nesta quarta-feira (4) a retirada imediata de 700 agentes da polícia de imigração (ICE) do estado do Minnesota. A medida ocorre após semanas de tensões em Minneapolis, marcadas pela morte de dois manifestantes em confrontos com forças federais em janeiro. O presidente Trump afirmou que a decisão da retirada foi sua, sugerindo que uma abordagem mais delicada poderia ser útil, embora defenda a manutenção do rigor na política migratória.
Edward Maille, enviado especial da RFI a Minneapolis, e AFP
Apesar do anúncio, cerca de 2.000 agentes federais permanecerão na região, um contingente significativamente superior aos 150 que operavam antes do início das recentes incursões. Para muitos moradores locais, a redução é vista como insuficiente e meramente simbólica.
Bob Gerlstrom, manifestante presente diante do quartel-general do ICE, afirmou que a medida visa apenas gerar notícias positivas na mídia, enquanto os agentes continuam indo às escolas para prender crianças e expulsar pais.
"Eles fazem isso apenas para que o anúncio seja repercutido na mídia", analisa . "Como se estivessem fazendo algo para desescalar a situação, quando na verdade não fazem nada. Eles vão às nossas escolas para sequestrar crianças e tentam deportar os pais. Isso não está certo."
A sensação de insegurança alterou profundamente o cotidiano da cidade. James Hoogenakker relatou que, pela primeira vez na vida, mantém armas carregadas em sua casa para se defender de possíveis invasões sem mandado. Outros residentes, como Jodi, destacam que o medo atinge inclusive cidadãos americanos e portadores de green card, que evitam sair de casa devido aos métodos agressivos da agência. Ela acredita que o remanejamento dos agentes para outras cidades não resolve o problema estrutural das operações.
Clima de luto persiste
No campo político, o prefeito de Minneapolis, Jacob Frey, classificou a retirada como um passo na direção certa, mas reiterou que a permanência de dois mil agentes não representa uma desescalada. O governador Tim Walz descreveu as ações federais como uma campanha de represálias coordenada por Washington. Em resposta, o emissário de Trump, Tom Homan, demonstrou firmeza, citando a prisão de 139 pessoas por agressão e 87 delinquentes sexuais, garantindo que as operações de controle e as expulsões em massa continuarão.
O clima de luto e revolta persiste na cidade, que recentemente realizou uma vigília em homenagem a Alex Pretti, morto por agentes federais. Homan atribuiu o banho de sangue ocorrido na região à retórica de ódio contra o ICE. Sobre as mortes de Renee Good e Alex Pretti, Trump declarou que, embora as tragédias não devessem ter ocorrido, os manifestantes não eram anjos. Enquanto o impasse prossegue, milhares de moradores continuam a protestar sob frio polar, enquanto outros permanecem escondidos em suas casas por medo de prisões.