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América Latina

Trump acena com 'acordo' com Cuba e diz que investimentos da China na Venezuela são 'bem-vindos'

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou neste sábado (31) que acredita ser possível "chegar a um acordo" em relação a Cuba. O líder reiterou seu apelo para que a ilha negocie com os Estados Unidos.

1 fev 2026 - 05h25
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As declarações, feitas a jornalistas a bordo do avião presidencial Air Force One, ocorrem em meio às ameaças de Trump de impor tarifas a qualquer país que forneça petróleo a Cuba.

Donald Trump falou a repórteres a bordo do Air Force One, em deslocamento entre Washington e a Flórida.
Donald Trump falou a repórteres a bordo do Air Force One, em deslocamento entre Washington e a Flórida.
Foto: REUTERS - Nathan Howard / RFI

"Acho que eles certamente virão até nós e desejarão fazer um acordo, para que Cuba possa ser livre novamente", disse. "É uma situação muito ruim para Cuba. Eles não têm dinheiro. Eles não têm petróleo. Costumavam viver do dinheiro e do petróleo venezuelanos, mas não receberão mais nada disso agora."

Trump acrescentou que a situação na ilha "não precisa se tornar uma crise humanitária". "Acho que seremos generosos", comentou.

A Venezuela era a principal fornecedora de petróleo de Cuba, mas desde o sequestro de seu presidente, Nicolás Maduro, por forças especiais americanas em 3 de janeiro, Caracas passou a vender o produto para os Estados Unidos.

Há três semanas, Trump disse que seu governo mantinha um diálogo com Havana, o que foi desmentido pelo presidente Miguel Díaz-Canel. O líder de Havana reiterou a disposição de seu país para dialogar com os Estados Unidos, mas sem fazer "nenhuma concessão política".

Cuba à beira do colapso

A pressão exercida por Trump preocupa os cubanos, que viram se intensificar nas últimas semanas os apagões que enfrentam - atualmente superiores a 10 horas diárias na capital -, além das dificuldades para comprar combustível.

As filas nos postos de gasolina de Havana que vendem combustível em dólares têm várias quadras de extensão. O país enfrenta há seis anos uma grave crise econômica, com escassez de todo tipo de produtos e apagões prolongados, devido aos efeitos combinados do endurecimento das sanções dos Estados Unidos, em vigor desde 1962, da baixa produtividade de sua economia centralizada e do colapso do turismo.

Nos últimos cinco anos, o PIB cubano caiu 11% e o governo enfrenta uma severa escassez de divisas para garantir os serviços sociais básicos, em especial o funcionamento de sua rede elétrica, a manutenção de seu sistema de saúde e o fornecimento de produtos subsidiados à população.

China é "bem-vinda" na Venezuela

Donald Trump também afirmou que os investimentos chineses na indústria petrolífera venezuelana seriam "bem-vindos". A China era a principal compradora de petróleo venezuelano sob o governo Maduro, cuja prisão lançou dúvidas sobre o futuro das relações de Pequim com Caracas.

"A China é bem-vinda e conseguiria um ótimo negócio com o petróleo. Recebemos a China de braços abertos", comentou o presidente americano a repórteres.

Ele observou que a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, concluiu um acordo de cooperação energética com a Índia na sexta-feira (30). "A Índia está entrando e vai comprar petróleo venezuelano em vez de comprá-lo do Irã, então já chegamos a esse acordo, um princípio do acordo", explicou. "Mas a China é bem-vinda para vir comprar petróleo", reiterou Trump.

A Venezuela possui as maiores reservas de petróleo do mundo e, sob pressão dos EUA, reformou sua lei de hidrocarbonetos na quinta-feira, abrindo o setor ao investimento privado.

No momento do sequestro de Nicolás Maduro, o presidente dos Estados Unidos disse que Washington "agora está no comando" da Venezuela e que Washington e Caracas compartilhariam os lucros do petróleo. "Vamos vender muito petróleo, e vamos ficar com uma parte, e eles vão ficar com uma grande parte, e eles vão se dar muito bem. Eles vão ganhar mais dinheiro do que jamais ganharam, e isso será bom para nós", declarou ele, no começo de janeiro.

Com Reuters e AFP

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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