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Estados Unidos comemoram 250 anos de Independência com programação fragmentada por polêmicas

Neste sábado (4), os Estados Unidos comemoram os 250 anos da independência do país. A data será marcada por uma série de eventos em todo o território americano, com desfiles, shows, cerimônias cívicas e as tradicionais queimas de fogos.

3 jul 2026 - 06h01
(atualizado às 07h16)
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Luciana Rosa, correspondente da RFI em Nova York

O vice-presidente dos EUA, JD Vance, durante evento que marca os 250 anos das Forças Armadas americanas na Estação Aérea Naval de Oceana, em Virginia Beach, Virgínia, em 1º de julho de 2026.
O vice-presidente dos EUA, JD Vance, durante evento que marca os 250 anos das Forças Armadas americanas na Estação Aérea Naval de Oceana, em Virginia Beach, Virgínia, em 1º de julho de 2026.
Foto: via REUTERS - Ken Cedeno / RFI

O aniversário histórico também acontece em meio a um cenário de forte polarização política, com críticas de opositores ao presidente Donald Trump sobre a forma como as celebrações estão sendo conduzidas. 

As comemorações oficiais terão dois eventos principais, com perfis bastante diferentes. Em Washington, Donald Trump participa de uma grande celebração no National Mall, que ele próprio tem promovido como um grande ato patriótico. 

Já em Los Angeles, uma programação organizada por outro comitê reúne artistas como Queen Latifah, Chris Stapleton, Chaka Khan e a banda Smashing Pumpkins, em um evento com foco na diversidade cultural e na música.

A existência de duas celebrações nacionais, organizadas por grupos diferentes e com pouca coordenação entre si, acabou chamando atenção porque reflete a polarização vivida nos Estados Unidos. Planos iniciais previam uma programação unificada, com desfiles, festivais culturais e apresentações em várias partes do país, mas o formato acabou sendo alterado ao longo dos últimos meses.

O cenário é bem diferente do imaginado anos atrás, quando o Congresso começou a planejar as comemorações dos 250 anos da Independência. Os planos originais da comissão America250 para o 4 de Julho em Washington davam muito menos protagonismo ao presidente. 

A proposta previa um grande desfile pelas ruas da capital com carros alegóricos representando diferentes comunidades, bandas marciais, um festival cultural organizado pelo Smithsonian Institute no National Mall e diversos shows realizados em várias regiões do país para celebrar a diversidade cultural americana. 

Queima de fogos de 40 minutos iluminarão a capital americana

Como acontece todos os anos, o céu dos Estados Unidos será tomado por espetáculos de fogos de artifício no Dia da Independência. 

Em Washington, o tradicional show realizado pelo Serviço Nacional de Parques (National Park Service) terá, neste ano, uma dimensão inédita. O espetáculo deve durar cerca de 40 minutos - mais que o dobro do tempo de uma queima tradicional  - e utilizar mais de 860 mil fogos de artifício. 

Segundo o jornal USA Today, a única orientação dada à empresa Pyrotecnico, responsável pelo espetáculo, foi tentar superar o recorde mundial estabelecido nas Filipinas, em 2016, para a maior exibição de fogos de artifício da história.

Em Nova York, o tradicional espetáculo de fogos da Macy's completa 50 anos e será realizado com lançamentos a partir da Ponte do Brooklyn, do East River e do Rio Hudson. A cidade disponibilizou 100 mil ingressos por meio de uma loteria pública para quem quiser assistir à apresentação em áreas reservadas.

Bola de cristal na Times Square

Outra novidade será na Times Square. Pela primeira vez, a famosa bola de cristal não será baixada apenas uma vez, como ocorre no Réveillon, mas oito vezes ao longo de quase 24 horas, representando cada um dos fusos horários dos Estados Unidos e de seus territórios. A primeira descida acontece às 10h deste dia 3 de julho, marcando a meia-noite em Guam e nas Ilhas Marianas do Norte. A última será às 7h do dia 5 de julho, em referência à Samoa Americana.

Nova York também receberá um desfile de grandes veleiros históricos e embarcações militares que navegarão pelo porto da cidade, passando pela Estátua da Liberdade, como aconteceu durante a celebração do bicentenário, em 1976. 

Na Filadélfia, considerada o berço da independência americana, será enterrada uma cápsula do tempo com contribuições dos 50 estados americanos. Ela permanecerá lacrada por 250 anos e só será aberta em 2276.

Além disso, outras dezenas de cidades americanas, como Milwaukee, em Wisconsin, organizaram festas de rua, desfiles e eventos comunitários para celebrar o marco histórico.

Polêmicas envolvendo a organização 

A organização da celebração ficou marcada por uma série de polêmicas. A principal envolve a politização da festa: a programação da Great American State Fair, em Washington, previa uma série de shows, mas artistas como Martina McBride, The Commodores, Young MC e Bret Michaels desistiram de participar após descobrirem a ligação do evento com a Freedom 250, organização criada por Donald Trump para comandar parte das celebrações. Depois das desistências, Trump cancelou os shows e anunciou que faria o que chamou de "o maior comício da história".

Outra iniciativa que gerou repercussão foi a realização de um evento do UFC (Ultimate Fighting Championship) nos jardins da Casa Branca como parte das comemorações dos 250 anos  -  e do aniversário do presidente Donald Trump  - no último dia 14 de junho. 

Além disso, houve críticas à reforma de cerca de US$ 14,7 milhões (aproximadamente R$ 81 milhões) promovida por Trump no espelho d'água do Memorial Lincoln, um dos principais cartões-postais de Washington. A obra incluiu a pintura do fundo do lago na cor "azul da bandeira americana", mas poucos dias após a conclusão dos trabalhos, a tinta começou a descascar e o espelho d'água precisou ser esvaziado novamente por causa da proliferação de algas. 

O presidente atribuiu os problemas a atos de vandalismo e afirmou que o local foi alvo de sabotagem, embora não tenha apresentado provas que sustentem essa versão.

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