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América Latina

Bill e Hillary Clinton aceitam depor no Congresso dos EUA sobre caso Epstein após ameaças de sanções

Bill e Hillary Clinton concordaram em depor diante de uma comissão parlamentar dos EUA sobre o caso Jeffrey Epstein, após ameaça de sanções por desobediência. O casal é questionado sobre os vínculos do ex-presidente com o criminoso sexual. A decisão interrompe temporariamente a possibilidade de acusações formais pelo Departamento de Justiça, liderado por Pam Bondi, próxima a Donald Trump, mas coloca em evidência debates sobre transparência e responsabilidade de figuras públicas em nível global.

3 fev 2026 - 08h07
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Poucas vezes a expressão "alto escalão" pareceu tão literal. Nos milhões de documentos recentemente liberados sobre o caso Jeffrey Epstein, aparecem nomes de figuras públicas do mais diverso espectro social e político, incluindo Donald Trump, Bill e Hillary Clinton, Bill Gates, executivos e líderes do setor tecnológico como Reid Hoffman, Peter Thiel, Elon Musk, Larry Page e Sergey Brin.

Nesta foto de arquivo, Bill Clinton, ex-presidente dos EUA, e sua esposa Hillary Rodham Clinton, chegam à Casa Branca para o jantar oficial com o presidente do Quênia, em Washington, DC, em 23 de maio de 2024.
Nesta foto de arquivo, Bill Clinton, ex-presidente dos EUA, e sua esposa Hillary Rodham Clinton, chegam à Casa Branca para o jantar oficial com o presidente do Quênia, em Washington, DC, em 23 de maio de 2024.
Foto: AFP - SAUL LOEB / RFI

A simples menção dessas pessoas em correspondências, registros de viagens e fotos não implica culpa, mas a avalanche de nomes fez ressurgir o debate sobre o alcance das relações sociais do criminoso sexual e o efeito político e midiático dessas revelações.

Milhões de páginas do caso Jeffrey Epstein foram liberadas pelo governo Trump, revelando contatos e vínculos com figuras públicas de peso, de celebridades a políticos influentes. Mas se Bill e Hillary Clinton aceitaram depor diante do Congresso, após pressão e ameaça de sanções com possibilidade de detenção, as vítimas de Epstein pediram nesta terça-feira (3) "anonimato e supervisão independente" do caso. 

Bill e Hillary Clinton aceitam depor

Após semanas de especulação e pressão, Bill e Hillary Clinton concordaram em depor diante de uma comissão parlamentar norte-americana que investiga a gestão do Estado no caso Epstein. Até então, o casal vinha se recusando a comparecer, tornando-se alvo de procedimento por obstrução ao Congresso.

"O ex-presidente e a ex-secretária de Estado estarão presentes. Eles estão ansiosos para criar um precedente que se aplique a todos", declarou o porta-voz Angel Urena em resposta a legisladores republicanos que solicitavam o direito de utilizar a oitiva, termo jurídico para se referir ao ato de ouvir alguém em juízo ou perante uma autoridade, sobre os vínculos de Bill Clinton com Epstein.

Antes desse anúncio, a comissão de regras da Câmara se preparava para organizar uma votação plenária sobre duas resoluções que, se aprovadas, recomendariam ao Departamento de Justiça iniciar processos contra Bill e Hillary Clinton, liderado por Pam Bondi, aliada de Donald Trump. Se fossem adotadas, essas resoluções poderiam resultar em acusação formal e até 12 meses de prisão. A comissão decidiu adiar a votação até confirmar se o casal cumpriria sua convocação.

Amizade antiga

O casal já havia sido convocado diversas vezes para esclarecer a antiga amizade do ex-presidente Bill Clinton com Epstein. Jeffrey Epstein, figura conhecida da alta sociedade nova-iorquina nos anos 1990 e 2000, foi acusado de explorar sexualmente mais de mil mulheres, incluindo menores. Ele foi encontrado enforcado em sua cela em Nova York, em 2019, antes de seu julgamento. Sua morte alimentou teorias da conspiração sobre um possível assassinato para proteger pessoas influentes.

Bill Clinton viajou várias vezes no jato particular de Epstein e foi fotografado em sua companhia, mas sempre negou ter conhecimento dos crimes do financista. Ele também afirmou não ter mantido contato com Epstein desde 2008 e não enfrenta investigação judicial sobre sua relação com o criminoso.

O republicano James Comer, chefe da comissão, afirmou: "Não existe cidadão, seja ex-presidente ou qualquer outra pessoa, que possa deliberadamente ignorar uma convocação devidamente emitida pelo Congresso sem consequências".

Possível interesse de Trump ao liberar documentos

Entre as três milhões de páginas dos arquivos, aproximadamente quarenta fotos sexualmente explícitas ou que permitem identificar vítimas foram mantidas, aparentemente parte da coleção pessoal de Epstein. Advogados das vítimas ressaltaram nesta terça-feira (3) que a divulgação pode causar sofrimento adicional e expor a privacidade de quem já passou por abuso.

Analistas interpretam que a liberação em grande volume de Trump pode ter um duplo efeito político: demonstrar transparência para a base eleitoral que critica elites e instituições, ao mesmo tempo em que dilui o impacto de menções embaraçosas a figuras poderosas, incluindo o próprio magnata, hoje presidente dos Estados Unidos.

Um juiz norte-americano analisará nesta quarta-feira (4) o pedido de vítimas para que seus nomes sejam retirados dos documentos publicados, a fim de proteger sua privacidade. Cerca de cem vítimas registradas afirmam que suas vidas foram profundamente afetadas. A procuradora-geral Pam Bondi informou que o Departamento de Justiça, no entanto, trabalhou para retirar milhares de documentos que pudessem identificar vítimas.

As advogadas das pessoas abusadas por Epstein pediram ainda a nomeação de uma autoridade independente para supervisionar a publicação dos arquivos, reforçando a necessidade de equilibrar transparência, responsabilização e proteção das vítimas.

Embora a simples menção nos documentos não configure crime, a presença de figuras públicas nos arquivos alimenta discussões sobre a ética de contatos com o criminoso sexual, responsabilidades de líderes e o limite entre relações sociais e envolvimento criminoso.

A liberação dos arquivos mantém em evidência questões sobre transparência governamental, integridade das instituições e direitos das vítimas, ao mesmo tempo em que coloca a sociedade diante de uma complexa teia de poder, abuso e impunidade.

Com AFP

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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