Em 2001, um iate refugiou-se numa ilha remota no Atlântico: dias depois, seus habitantes empanavam peixe com coca
História do Rabo de Peixe é uma das mais loucas do início do século XXI: uma onda de fardos de peixe nos Açores
A ilha de São Miguel, a maior e mais populosa do arquipélago dos Açores (em Portugal), é conhecida como "Ilha Verde" devido aos seus prados verdejantes. Em 2001, porém, o mais apropriado era chamá-la de Ilha Branca. Numa das piruetas do destino que costumam inspirar roteiristas da Netflix (e neste caso foi exatamente o que aconteceu), dezenas e dezenas de fardos de cocaína pura começaram a chegar às costas de São Miguel, mais especificamente às da freguesia de Rabo de Peixe.
Foram trazidos pelo Atlântico, de surpresa e sem que ninguém em Rabo de Peixe conseguisse explicar bem porquê ou de onde vinham. O que não deixa dúvidas, mais de 20 anos depois, é que esse episódio mudou a história da ilha.
Não só porque Rabo de Peixe ficou para sempre associada a imagens surreais (diz-se que na ilha havia famílias que empanavam cavala com cocaína em vez de farinha), mas também pela marca que deixou numa população de pescadores humildes, para quem até então o pó branco era um recurso ao alcance de uma minoria.
Vinte e quatro anos depois, a história volta às notícias graças ao streaming. A Netflix acaba de lançar um novo documentário sobre o episódio, "Maré Branca: A História Surreal de Rabo de Peixe", um lançamento que coincide com a estreia da segunda temporada de uma série inspirada no mesmo evento, a bem-sucedida "Rabo de Peixe".
Veleiro à deriva
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