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América Latina

HRW denuncia virada autoritária de Trump e projeta realinhamento global de potências médias incluindo Brasil

A Human Rights Watch (HRW) lançou um dos alertas mais contundentes de sua história ao afirmar, nesta quarta-feira (4), que o presidente Donald Trump está conduzindo os Estados Unidos em direção a um estado autoritário, enquanto a democracia e os direitos humanos sofrem ataques simultâneos em várias partes do mundo. O relatório anual da organização, sediada em Nova York, descreve um cenário global de retrocessos e pressões coordenadas sobre instituições democráticas.

4 fev 2026 - 06h58
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Segundo a HRW, o retorno de Trump à Casa Branca acelerou uma "espiral descendente" que já vinha sendo alimentada por potências como Rússia e China. "A ordem internacional baseada em regras está entrando em colapso", alerta o documento.

Nos Estados Unidos, o grupo afirma que Trump demonstrou "um flagrante desrespeito aos direitos humanos", citando como exemplo o envio de agentes mascarados do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) para realizar "centenas de batidas desnecessariamente violentas", incluindo operações em Minneapolis, Minnesota. A HRW também aponta que Washington cometeu desaparecimentos forçados ao enviar 252 migrantes venezuelanos para uma prisão de segurança máxima em El Salvador, prática considerada crime pelo direito internacional.

O relatório descreve um conjunto de ações que, segundo a organização, configuram uma "deliberada guinada rumo ao autoritarismo": perseguições a adversários políticos, ampliação de poderes coercitivos do Executivo e tentativas de neutralizar mecanismos democráticos de controle.

Para a HRW, a democracia americana regrediu aos níveis de 1985, quando a União Soviética ainda existia. "Rússia e China são menos livres hoje do que há 20 anos. O mesmo se aplica aos Estados Unidos", afirma o texto.

"Direção errada"

O diretor executivo da HRW, Philippe Bolopion, reforçou a gravidade do momento em entrevista à AFP. "Com o primeiro ano do segundo mandato de Trump, a história está acelerando na direção errada", afirmou. Ele também cita que o relatório de 529 páginas contrasta com o documento de direitos humanos divulgado recentemente pelo Departamento de Estado americano, que suavizou críticas a aliados do presidente dos EUA, como El Salvador.

A HRW reconhece a redução da violência de gangues em território salvadorenho, mas afirma que as autoridades praticaram "violências generalizadas em 2025", incluindo desaparecimentos forçados, tortura e detenções arbitrárias em massa.

Em relação a Israel, o relatório reitera acusações de "crimes contra a humanidade, atos de genocídio e limpeza étnica" contra palestinos em Gaza, alegando uma intensificação das atrocidades com apoio de Washington.

Diante desse cenário, Bolopion sustenta que o movimento global de direitos humanos enfrenta ataques não apenas do governo Trump, mas também de Rússia e da China — potências que, apesar das rivalidades estratégicas, "agem quase como aliadas por conveniência" para enfraquecer o sistema internacional de direitos humanos. A ONU, segundo ele, encontra-se "enfraquecida e incapaz de responder à emergência atual".

A HRW também expressa preocupação inédita sobre seu próprio funcionamento dentro dos Estados Unidos, devido ao risco de represálias governamentais. A organização teve de fechar escritórios em Hong Kong, Moscou e Egito, e seu diretor para Israel-Palestina foi expulso de Jerusalém. "Nossa presença nos EUA já não é segura", afirma Bolopion, citando o histórico do governo Trump de atacar vozes críticas, incluindo a fundação do filantropo George Soros.

Aliança de potências médias inclui Brasil

Com restrições crescentes ao trabalho de campo, a HRW afirma estar se adaptando com o uso de tecnologia — como inteligência artificial, drones e imagens de satélite — para monitorar violações.

Como resposta à erosão global da democracia, a organização propõe a criação de uma "aliança estratégica" de "potências médias" comprometidas com valores democráticos e o respeito ao direito internacional. Entre os países citados como potenciais integrantes estão Canadá, União Europeia, Reino Unido, Japão, África do Sul, Brasil, Coreia do Sul e Austrália.

A Índia, apesar de seu retrocesso democrático, também poderia integrar a aliança, caso buscasse melhorar sua reputação para proteger-se de tarifas impostas por Washington ou pressões chinesas e russas.

A HRW argumenta, por fim, que uma aliança desse tipo poderia oferecer proteção econômica e política aos membros, por meio de acordos comerciais e de defesa preferenciais, além de permitir votos coordenados em órgãos da ONU, incluindo o Conselho de Segurança.

Com AFP

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