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América Latina

EUA: Pentágono rompe com Harvard por suposta influência de ideologia 'woke' nas Forças Armadas

O Pentágono, órgão do governo dos Estados Unidos responsável pelo comando das Forças Armadas americanas, anunciou na sexta-feira (6) o rompimento de todos os seus vínculos acadêmicos com a universidade de Harvard, situada perto de Boston, no nordeste do país. A decisão inclui a suspensão de cursos de formação militar e bolsas de estudo e será aplicada a partir do ano letivo 2026-2027. Os militares que já estão matriculados poderão concluir os cursos em andamento.

7 fev 2026 - 14h44
(atualizado às 14h47)
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Harvard, fundada em 1636 e situada perto de Boston, no nordeste dos EUA, é uma das universidades mais antigas e respeitadas do país e do mundo. É referência em pesquisa científica, formação de líderes e produção acadêmica em diversas áreas, da ciência política à medicina, e possui ampla tradição de cooperação com instituições públicas e privadas, incluindo militares, ao longo de sua história.

Foto ilustrativa: o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (à dir.), observa enquanto o secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, fala à imprensa, em 3 de janeiro de 2026.
Foto ilustrativa: o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (à dir.), observa enquanto o secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, fala à imprensa, em 3 de janeiro de 2026.
Foto: AFP - JIM WATSON / RFI

O secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, criticou a universidade, afirmando que ela "não atende mais às necessidades do Departamento de Defesa ou dos serviços militares" e que muitos oficiais retornaram de programas na instituição "com a cabeça cheia de ideologias globalistas e radicais que não fortalecem nossas fileiras de combate". Em uma publicação na rede social X, ele chegou a afirmar: "Harvard é woke; o Departamento de Guerra não é."

O que é "woke" e por que isso importa

O termo "woke" surgiu no inglês como uma expressão ligada à consciência sobre injustiças sociais, especialmente em relação a raça e discriminação. Com o tempo, passou a ser usado por setores conservadores para criticar políticas e programas de diversidade, equidade e inclusão defendidos em universidades e em ambientes culturais e profissionais, sob a acusação de que tais iniciativas seriam ideológicas e não neutras.

No contexto da medida do Pentágono, o governo do presidente Donald Trump e Hegseth usam "woke" de forma crítica para afirmar que instituições como Harvard promovem ideias consideradas contrárias às prioridades e valores que eles desejam ver nas Forças Armadas — em particular, valores associados à disciplina, defesa nacional e coesão tradicional. Essa disputa faz parte de um debate mais amplo nos EUA sobre o papel das universidades na formação de líderes e no ingresso de políticas sociais no ambiente acadêmico, envolvendo questões de raça, gênero, orientação sexual e críticas ao passado colonial e racista do país.

Confrontos com universidades de elite

O corte de vínculos entre o Pentágono e Harvard é apenas a parte mais recente de uma série de confrontos entre a administração Trump e universidades de elite dos Estados Unidos, especialmente aquelas pertencentes à Ivy League — grupo que reúne instituições como Harvard, Yale, Princeton, Columbia e outras reconhecidas internacionalmente por excelência acadêmica

Pouco antes do anúncio, o governo também havia exigido pagamento de US$ 1 bilhão em danos de Harvard em um processo em que a Casa Branca alegou que a universidade não protege adequadamente estudantes judeus durante manifestações pró‑Palestina no campus, além de criticar políticas de diversidade e possíveis "tendências anti‑americanas".

Algumas das disputas envolveram tentativas de congelar verbas federais de pesquisa ou restringir a ajuda a estudantes estrangeiros. Harvard reagiu com ações judiciais contra essas medidas, alegando retaliação e tentativa de controle do governo sobre a autonomia universitária.

O secretário Hegseth também anunciou que o Pentágono revisará todas as parcerias acadêmicas com escolas da Ivy League para verificar se esses programas realmente atendem às necessidades de formação estratégica de futuros líderes militares em comparação com universidades públicas e programas próprios das Forças Armadas.

O chefe do Pentágono também critica medidas de inclusão social no exército, questionando a expansão de oportunidades para minorias e os efeitos da integração das mulheres em funções de combate, autorizada há cerca de dez anos.

O que está em jogo

A ruptura com Harvard tem repercussões que vão além da simples suspensão de cursos e bolsas. Ela simboliza um choque entre visões de mundo sobre o papel da educação superior e sua relação com o Estado e as instituições públicas.

Para opositores, universidades de pesquisa como Harvard representam um espaço tradicional de pensamento crítico, diversidade de perspectivas e produção de conhecimento independente. A intervenção política do governo, sob a justificativa de combater a influência de ideias consideradas "woke", é vista por alguns acadêmicos e observadores como uma tentativa de influenciar a agenda das instituições educacionais e cercear a autonomia acadêmica.

Do outro lado, os defensores da postura do Pentágono argumentam que programas de educação militar que expõem oficiais a perspectivas consideradas incompatíveis com a missão das Forças Armadas podem comprometer a coesão e os objetivos estratégicos do exército, e que a formação de oficiais deve estar alinhada com valores considerados essenciais para a defesa nacional.

Com agências

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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