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Você já percebeu como estamos todos estressados?

21 fev 2019
09h00
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A cada pessoa que atendo em consultório, a queixa é sempre a mesma: cansaço e estresse, que levam à depressão, aumento da ansiedade e somatização. A verdade é que criamos uma sociedade que, nem nós mesmos damos mais conta, tamanha a velocidade dos acontecimentos e informações.

 Você já percebeu como estamos todos estressados? Que tal mudar esse padrão?
Você já percebeu como estamos todos estressados? Que tal mudar esse padrão?
Foto: iStock

Praticamente todas as pessoas que convivo e conheço estão insatisfeitas, estressadas e sobrecarregadas com as demandas do dia a dia, as obrigações da carreira, trabalho, finanças e família. Quando isso acontece, os problemas de saúde não tardam a chegar. Pressão e instabilidade perturbam a todos, todo o tempo. 

Um estudo recente mostra que o excesso de atividades e responsabilidades, assim como a execução de muitas coisas ao mesmo tempo, é comparável a dirigir alterado por drogas, como dirigir embriagado, por exemplo. Outro estudo mostra que o estresse comum que todos nós vivemos no dia a dia envelhecem as células cerebrais em até dez anos. A pressão relacionada a pequenas coisas é tão prejudicial quanto as grandes decisões que devemos tomar quase todos os dias.

Vivemos em uma sociedade em que o chão nunca está firme sob nossos pés e, sendo assim, precisamos estar alertas e sermos ágeis para evitar o tão temido fracasso.

O estresse vivido constantemente em nosso dia a dia vai cristalizando nossa maneira de agir e reagir, criando uma espécie de rigidez emocional. Com o tempo, passamos a viver como máquinas, com ações e reações pré-determinadas, pré-construídas, condicionadas. A maioria de nós, vive dessa maneira, trabalhando em círculos, quando devemos trabalhar em espiral. Dessa forma não crescemos, não evoluímos, apenas respondemos, e da pior maneira que existe, com resultados terríveis para nossa saúde global. Permanecemos presos a regras implícitas ou imaginárias, presos e condicionados em repetir coisas que não nos são úteis.

Nossa sociedade de consumo sem fim, coisifica tudo, inclusive as emoções. Seu relacionamento não anda bem? Procure outro. Está infeliz? Vá ao shopping center. Não está produtivo o bastante? Baixe um aplicativo e você vai conseguir superar este momento. Está infeliz? Pense positivo. Faça tudo isso e você vai sentir-se muito pior.

Você precisa encarar e enfrentar com coragem e compaixão seus sentimentos, de nada adianta negá-los. Só conseguimos transformar aquilo que conhecemos. Esse processo, o de adquirir agilidade emocional, se divide em quatro movimentos, que são essenciais para nosso equilíbrio:

1. Você precisa enfrentar, ou seja, olhar de frente, voluntariamente seus pensamentos, comportamentos e sentimentos, com carinho, boa vontade, curiosidade e vontade de mudar. Se eles têm a ver com o momento que você está vivendo, ok, eles são validados pela realidade. Mas, se você observar atentamente, vai perceber que existem outras tantas antigas repetições que insistem em permanecer em sua psique, como uma música que cola na gente e não conseguimos parar de cantá-la silenciosamente.

2. O próximo passo é afastar-se, depois de enfrentá-los e conhecê-los. Você deve dissociar-se deles e observá-los, como um espectador. Procurar enxergar que são apenas pensamentos, apenas emoções, até que você consiga criar um espaço entre o que você sente ou pensa e a maneira que você reage a eles. Praticar a observação imparcial, sem julgamentos. Essa prática vai permitir que você controle seus pensamentos e sentimentos e não o contrário.

3. Depois de ter olhado de frente e obtiver o controle real sobre eles (pensamentos, emoções e comportamentos), é preciso começar a enxergar o que está por trás deles: seus valores essenciais e suas metas mais significativas. É preciso reconhecer, aceitar e em seguida, distanciar-se do que assusta e desencadeia os medos, das lembranças ou situações dolorosas e perturbadoras. É hora de descobrir novas maneiras para lidar com antigos problemas, criar a capacidade de olhar para o futuro e construir novas redes, novos caminhos. Seus valores essenciais, podem funcionar como bússola, para que você avance na direção certa, para que você não desvie de seu caminho.

4. Agora é hora de seguir em frente. Se precisar fazer alguns ajustes em seus valores, se eles já não ressoam positivamente para a construção de seu caminho de vida, faça. Observe seus hábitos e, se acaso estiverem trabalhando contra seus objetivos e metas de vida, mude-os. Não se permita funcionar a partir de repetições inconscientes e que só atrapalham suas conquistas.

É claro que tudo isso demanda um trabalho quase hercúleo, é mais fácil falar do que fazer. Mas é absolutamente possível começar a executar um plano de vida baseado na consciência e no autocontrole. Como dizem os indianos: “quando nossas emoções e pensamentos inconscientes dominam nosso comportamento, experimentamos o caos”. 

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Fonte: Eunice Ferrari
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