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História dos três emês

17 jan 2019
09h00
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Ela apareceu. Surgiu do nada, como toda surpresa. Mãe e filha haviam acabado de voltar do supermercado, passando pelo portão de casa vazio. Dois minutos depois, guardando as compras do mês, toca a campainha. Quem teria sido? Seguramente não aquela bolinha de tênis, aninhada num velho pano de prato, a cachorrinha de cor caramelo.

História dos três emês
História dos três emês
Foto: iStock

Sol de janeiro, abrasador, as duas estancaram por um instante. Pela rua, lado de cima e de baixo, só se encontrava solidão, silêncio. Três seres vivos, atônitos e enrolados em seus pensamentos. 

A cachorrinha queria mamar, a menina queria de ter uma cachorrinha, a mãe queria de que aquilo não estivesse acontecendo – não naquele momento difícil e agitado, decisivo e implacável da sua vida.

Era início de ano, época difícil. Sob forte insistência, mamãe cedeu, preocupada, perguntando para si mesma como somaria outra responsabilidade – na verdade várias: água, comida, higiene, vacina, remédio, passeio, além das características imprevisíveis dos mamíferos – na sua agenda cheia de transbordar.

Nome? Porque era a inicial delas e queriam algo curto, escolheram o minimalismo bem feminino de uma única letra, a cachorrinha ficou chamando M (ême: a décima terceira letra do alfabeto; de mulher, mãe e menina). 

Boa vontade foi presença obrigatória naqueles primeiros dias. Amamentavam de conta-gotas. O berço, escolhido pela própria cachorrinha, as pantufas mais fofinhas. Noites inteiras em que o choro assustado pedia, era acalentada no colo.    

No ano que se desdobrou a bolinha de tênis cresceu impressionante. Tornou-se uma espécie de mini-pônei brilhante de um metro e meio de pelos curtos. No alto do crânio forte como uma marreta a castanha lealdade dos olhos atentos. No chão, a força e a agilidade andante das quatro patas do tamanho de pires.

Nos passeios, a menina corre arrastada, puxando com toda força a coleira. Feliz, cabelos esvoaçando, gritinhos de alegre estridência. Mas, bênção maior recebeu a mamãe: como M, ela também amadureceu bastante. Ganhou força, segurança, robustez, certeza para percorrer distâncias mais amplas. Na casa aumentou a Confiança, fortalecida na serenidade espiritual que um bicho amado transmite. 

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Fonte: Marina Gold
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