É preciso valorizar o 'copo meio cheio'; entenda
"Como está o teu copo?". Essa pergunta faço para muitos dos meus consulentes. Pode soar estranha, mas logo se entenderá. Como? Percebendo - e isso quero extrair de quem está interagindo comigo - que a felicidade (sim, ela, sempre ela!) não é um copo transbordante, cheio até a boca, uma cornucópia da abundância vertendo coisas e mais coisas boas para todos os lados. Não, definitivamente a vida não é assim.
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Essa famosa e muito conhecida imagem de que o definitivo não é como o copo está, mas como aceitamos que ele esteja, é tradicional no budismo. Influenciou, na sequência, uma série de outras sábias abordagens da realidade, religiões em geral (hinduísmo, judaísmo, cristianismo, islamismo) e ampla gama de perspectivas filosóficas (epicurismo, estoicismo, para ficarmos com as mais destacadas e, possivelmente, as mais fortes e consoladoras).
Como podemos resumir essa forma de encarar os desafios? Simples assim: todas essas indicações anteriores não aceitam o mantra moderno do "tudo azul, tudo positivo", desdenham o brilho ofuscante e enganoso do "sucesso", indicando outra alternativa, mais legítima e autêntica, caminho para um sucesso verdadeiro: o contentamento nasce da aprendizagem do fracasso.
Inevitavelmente somos seres do fracasso e, por isso mesmo, precisamos saber lidar com ele e organizar a nossa vida em função dessa verdade imutável. Acrescento: gostemos ou não. É isso mesmo, estamos olhando para a felicidade de forma equivocada, deixando que um sonho (aliás, na maioria das vezes, chinfrim e edulcorado) tome o lugar da nossa poderosa capacidade individual, de espantosa adaptabilidade e resiliência. Acreditar demasiado no sonho vai nos enfraquecendo, minando a possibilidade de seguirmos o único caminho possível para encontrar sentido na vida.
Que fazer? Bem, cada um por si deve examinar sua interioridade e avaliar quanto investe no "sucesso", geralmente artificial e imposto de fora. A tarefa é admitir que o copo meio cheio contém precioso líquido que não deve ser desdenhado. É preciso maturidade para assumir que nem sempre a vida é perfeição, deixar momentos para a melancolia doce-amarga indicar que a vida é impermanência. Não é porque as flores murcharão que nós deixamos de admirá-las e com elas presentear, muito pelo contrário, sua temporalidade passageira acaba por aumentar seu valor simbólico, revelados da beleza do mundo material. A mesma postura deve valer para as coisas humanas e frágeis como flores.
Não podemos aceitar que não seja ilusão acreditar que a vida passa sem acidentes, abandonos ou falhas. É ingênuo e atrasa os avanços possíveis para cumprimento dos desafios cármicos.
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