Descubra o que o naipe de espadas, o mais temido do tarot, pode nos ensinar
Se tem algo que permeia a nossa existência é a intenção de saber quem verdadeiramente somos. Quantas vezes você já fez essa pergunta? Contudo, quando se trata desse assunto, certamente somos convidados a encarar coisas que nem sempre são tão gostosas de se vivenciar, lembrar e vasculhar - mas sem isso o nosso processo de […]
Se tem algo que permeia a nossa existência é a intenção de saber quem verdadeiramente somos. Quantas vezes você já fez essa pergunta? Contudo, quando se trata desse assunto, certamente somos convidados a encarar coisas que nem sempre são tão gostosas de se vivenciar, lembrar e vasculhar - mas sem isso o nosso processo de autoconhecimento se torna falho. Tirar alguma carta do naipe de espadas, o mais temido do tarot, é certamente um pedido interior para que redobremos a atenção.
Entre razão e emoção, a saída …
Nas histórias, todo herói e heroína possuem seus instrumentos para enfrentar as vulnerabilidades e batalhas que a vida impõe, como as lutas contra os "vilões, monstros e dragões". Um dos mais famosos desses instrumentos é a espada, que podemos encontrar nos mitos como Gram ou Excalibur, ou ainda em uma das frases mais complexas de Jesus: "Não pensem que vim trazer paz à terra. Não vim trazer paz, mas espada" (Mateus 10:34).
A espada na tradição
Tradicionalmente a figura da espada está associada ao elemento Ar, relacionado aos pensamentos, que até então são imateriais, mas que quando conduzidos por ações, criam suas formas no mundo. Este instrumento tornou-se um símbolo da capacidade de decisão, resolução, confiança e iniciativa. É o poder de lógica e racionalidade que, quando bem usados, oferece o melhor direcionamento possível, pois nos tira de situações vulneráveis na vida, mesmo que, na verdade, sejam as nossas batalhas interiores. Sem essa capacidade bem desenvolvida, a vida facilmente se assemelha a um novelo embaraçado de percepções confusas e necessidades e sentimentos contraditórios.
Toda pessoa enfrenta primeiro a si mesma
Pouco a pouco um outro ser vai emergindo em nós mesmos - algo que se contrapõe muitas vezes com o que estamos acostumados a ser e pensar. Começamos a distinguir, delimitar e separar as coisas e passamos a conviver com o desconforto de carregar a espada, pois é o peso que nos oferece responsabilidade de escolhas. Isso requer que enfrentemos os riscos com ousadia e, principalmente, preservando a justiça - afinal, o corte de uma espada é igual de ambos os lados.
Contudo, por tamanha responsabilidade, há quem prefira continuar na segurança do que foi aprendido, das normas habituais, nas confusões dos pontos de vistas e preconceitos, terceirizando a sua responsabilidade para outros, ultrapassando seus próprios limites para se encaixar e deixando de reconhecer os seus valores pessoais e assegurar a sua própria identidade.
O naipe de espadas
Quando analisamos as figuras numéricas do naipe de espadas, vemos claramente a batalha do aprendizado pessoal, a separação existencial e a distinção do que serve ou não. Segundo a nossa dinâmica pessoal no mundo social, somos colocados de frente com o desconforto de enfrentar as nossas ilusões, usando a lógica e a razão que servem a sabedoria para escolher o que for preciso.
Se usássemos o naipe de espada para entendermos nossas emoções, sentimentos, além de racionalizarmos os nossos desejos, boa parte dos problemas seriam solucionados. Essa foi a proposta de Jesus ao falar que não estava trazendo a paz, mas sim a espada, o discernimento, conhecimento e o desconforto e não há crescimento sem passar por isso.
Por essa razão, ao tirarmos as cartas do naipe de espadas ao longo de uma tiragem, chama a atenção, pois é o espelho da nossa consciência pedindo um pouco mais de discernimento para tudo que buscamos. Essas cartas são isentas de compaixão, pois geralmente queremos alimentar e reforçar o nosso ego somente com o que achamos que é bom pra nossa vida. Suas numerações e cartas da corte simbolizam o grau de intensidade desse comportamento. Para quem foge do autoconhecimento, elas podem ser um martírio, mas para aqueles que buscam se conhecer, sabe perfeitamente que a porta é estreita e que esse é o caminho que leva para a vida eterna.
Texto: Felipe Bezerra é Tarólogo, Astrólogo e Terapeuta Holístico na Origem Therapias.
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