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Pode chorar

2 ago 2019
09h00
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Lembra da música? Da saudosa Beth Carvalho? Então, “pode chorar”. O choro, linguagem e comunicação espiritual bastante especial, revela nossa sensibilidade, meio fria nos dias exageradamente materialistas que correm. 

Pode chorar
Pode chorar
Foto: iStock

Claro que almejamos (para todos e para nós antes de todos) uma “vida boa”, justa e sábia, em harmonia, tanto quanto possível, com a ordem cósmica. Essa busca é ótima, mas (e não sei se todos concordam, se todos têm maturidade para concordar) há um outro lado das coisas e dos desafios humanos: forças da imperfeição, do caos, do descontrole, da indiferença. Simples assim, por mais que nos desagrade: não existe harmonia sem se levar em conta a desarmonia. 

Os estados de clareza, ao longo da vida, se misturam aos de falta de clareza: paixões obscuras e delirantes competem com trajetórias de serenidade, autoconhecimento e domínio de si. Momentos de sabedoria contrastam com os de excesso. Ao lado da alegria e da festa, da satisfação e do prazer, do amor e do bom humor, vamos encontrar as oposições, ódio e medo, traição e maldade, desordem e morte. Ninguém se iluda: a vida é um vulcão, por isso a lágrima desempenha valoroso papel. 

O choro, manifestação de nossa fragilidade, é íntima busca de salvação, revela os sonhados itinerários para nós, os indivíduos plantados no coração de um universo belo, cuja eternidade por todos os lados escapa. 

O choro reorganiza nosso modo de ver a vida. Rompe com as ilusões, corajoso ao encarar as angústias inerentes à nossa condição humana. O choro, que prefiro antes marca de sabedoria que de tristeza, de grandeza que de covardia, é possibilidade para melhor compreensão. 

Nossa época, de “suprema felicidade”, contagiante e frenética em sua disposição para a diversão e o hedonismo, precisa do choro. Pesado dever de ser alegre salta sobre nós a cada minuto. A pergunta séria, que tantos evitam, é: dá para ser feliz nessa inflação de felicidade? 

Vamos entender que não é necessário encarar a infelicidade como uma doença. Ela completa a vida, ponto de equilíbrio. Adultos devem aceitar o fardo do tédio, da separação, da solidão, do desamor, da doença, da morte. 

Eu, de minha parte, sigo assim: prefiro a legitimidade do choro ao riso forçado. Cedo ou tarde, as lágrimas secam, os olhos clareiam e a vida prossegue mais forte, lúcida e coerente. 

Quer saber mais sobre o trabalho de Marina Gold ou entrar em contato com ela, clique aqui.

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Fonte: Marina Gold
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