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Intolerância pode comprometer a felicidade

A intolerância é uma das maiores provas da falta de amor

11 jan 2018
07h00
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A tolerância é das atitudes mais nobres que um ser humano pode desenvolver. Mas, não se engane, é também território de extrema dificuldade porque, na maioria das vezes, conseguimos ser tolerantes apenas com nossas próprias dificuldades – com a dos outros é mais encrencado.

Muitas vezes ser tolerante é perdoar o próximo e, como perdoar é reconhecer a própria humildade e se despir da arrogância, um número elevado de pessoas não alcança êxito em tal procedimento, revelando facetas mais sombreadas do egoísmo humano.

Lembro-me de exemplo, doloroso. Atendia um jovem casal, ele com pouco mais de vinte anos (pouco vivido), ela na mesma faixa (também nada madura). Na minha frente ele repetiu a confissão e a história: “Sim, eu traí!”

Foto: iStock

Prestei muita atenção e acompanhei com toda aguda sensibilidade possível o relato: “estamos juntos há três anos e minha curiosidade veio à tona quando conheci, no trabalho, uma mulher mais velha, sedutora e fascinante. Confesso que caí nas garras dela, pois ela me atacou. Quero deixar claro que foi apenas uma vez, um único contato íntimo”.

A esposa, sabendo do fato, tinha decidido pela separação e estava, simplesmente, irredutível. Não havia argumento que a fizesse mudar de ideia. Foram aconselhados e vieram me procurar.

Ele terminou e me senti um pouco estranha. Raramente tinha tido a oportunidade de acompanhar (e não estava no cinema), mesmo na prática de cinquenta anos – que já posso considerar extensa, não? – uma sinceridade daquelas, sem meias palavras, sem dissimulações; legítima, verdadeira, bem intencionada, comovente no que trazia de humano e imperfeito. Rapazes como ele, sei bem, não costumam se expor com tanta abertura assim.

Olhei no fundo dos olhos da moça. Ela percebeu a necessidade de se manifestar. Gelada, indicou, em poucas palavras, que não estava disposta a nenhum tipo de perdão. Não tinha capacidade de deixar para lá, de superar e seguir.

Realmente vi que não havia jeito. A esposa estava inabalável. Percebi, num clarão, que a intolerância é uma das maiores provas da falta de amor, um veneno que pode levar ao fracasso qualquer relação.

Muito entristecida, sem poder reverter a questão, despedindo-me na porta, ao apertar a mão dele, constatei o abatimento. Era forte esperança que voava. Pensei: “eis um homem que pode ter defeitos, mas é bom. Pena que ela seja tão intolerante. Um erro, já que podia reconstruir o casamento como uma aventura ainda maior de felicidade”.

Quer saber mais sobre o trabalho de Marina Gold ou entrar em contato com ela, clique aqui.

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Fonte: Marina Gold

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