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"Amorexia"

4 out 2018
09h00
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“Você sofre de amorexia”, eu disse. “Não”, ela respondeu espantada, “olha que eu como bem, até um pouquinho além da conta”. Foi a minha vez de dizer “Não”, retrucando, “falei amorexia, com ême, não anorexia, o distúrbio alimentar”.   

"Amorêxia": você tem pânico, um medo mórbido de dar uma mordida no amor, abocanhar um pedaço de paixão
"Amorêxia": você tem pânico, um medo mórbido de dar uma mordida no amor, abocanhar um pedaço de paixão
Foto: iStock

Ela me fitava, confusa. “Explico. Você se coloca, nas coisas românticas, numa defensiva brava”. “Ah!”, ela assentiu balançando de leve a cabeça, “isso é mesmo”.  

“Então”, prossegui complementando o diagnóstico, “você tem pânico, um medo mórbido de dar uma mordida no amor, abocanhar um pedaço de paixão. Para as coisas do coração teu quadro é de bulimia – com falta de apetite, inapetência”.

Os olhos me olharam assustados, depois mareados. Fez-se breve silêncio. O tempo parecia não escorrer mais como água, e sim como gelatina. Ela desabou. As lágrimas desceram lentas, tristes. 

“É”, ela suspirou. “O amor sempre foi para mim um buraco, um vazio, uma deficiência”, disse com uma voz fraca, fininha. “O amor sempre foi para mim uma ausência”, confessou, as palavras sendo entrecortadas pela comoção.

Ela não sabia, eu sim: o pior – em sentido cármico-espiritual – tinha passado exatamente nesse (e também por intermédio e ajuda desse) difícil diálogo. Ajustes de superação e solução de enovelamentos bem antigos do destino puderam se dar ali. Aquelas lágrimas selavam o cumprimento de salgados acertos pendentes.

Quando indiquei o caminho que deveria ser percorrido, ela se esquivava e defendia, amuada, amedrontada. “Calma”, certifiquei, “ele vem, vai se mostrar, será bem diferente dos outros e a relação que vocês construirão também será bem diferente”. 

Havia trabalho intenso adiante. Ele apareceu e ela precisou de uma verdadeira “reeducação alimentar”. O apetite se afirmando devagar. Um bocadinho hoje. Um chazinho pra ajudar na digestão amanhã. Um tequinho. Uma colherada. Um pedacinho. Um pedaço. Uma porção. Um pratinho. Uma pratada. Logo estava forte e preparada, regime de três refeições.

Pude revê-la há alguns dias. De fato, a dor abriu o carma. Ela transbordava e irradiava bem-estar. Era o retrato vivo de uma moça feliz, bem nutrida de amor. Da amorexia dura que viveu, nem sinal. Era agora uma amortimista – uma otimista do amor. 

Quer saber mais sobre o trabalho de Marina Gold ou entrar em contato com ela, clique aqui.

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Fonte: Marina Gold

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