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Mestre de sabedoria

27 set 2018
09h00
atualizado em 2/10/2018 às 16h16
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Rocha. Mestre Rocha. Nome e caráter unidos. Como esquecer de suas lições? Passam-se os anos e, sempre e sempre, na ansiedade, no caderno onde anotei alguns de seus pensamentos — depois indiquei numa etiqueta colada à capa: “Mestre Rocha” – busco o amparo da lucidez. Passo as páginas escutando tua voz amistosa e serena. Lá encontro e reencontro tua sabedoria iluminada: desnudando a realidade, a natureza, a existência, a verdade, o conhecimento, a bondade, a fraternidade, as concepções, os atos. 

O tempo da plenitude é indelével
O tempo da plenitude é indelével
Foto: iStock

Os assuntos fluem numa admirável capacidade de trazer o ocultismo e a elevação espiritual para perto, apontando referências e respostas, movimentações e caminhos, tratando de estender para o discípulo a chama e o entendimento, a revelação de diferentes perspectivas e caminhos. 
Basta algum tempo no caderno para aumentar as saudades, mestre! Saudades de te escutar e de ti aprender. Teu clamor humano, tua fraternidade, tua posição de justiça e bondade... tudo faria mais falta se não fossem as páginas que, elas também, envelhecem, amarelam, dobram nos cantos em orelhinhas. 

Ouça o podcast Terra Horóscopo:

Assim, madrugada dessas, cansada de procurar em mim a resposta (sim, lembro bem que tal disciplina era uma de suas exigências, mas resolvi dar uma desviadinha), corri para a estante e puxei o caderno na ânsia de orientação.

Fazia frio. Há dias eu vinha recebendo estranhos sinais. Preparei um chá de tília (bom para acalmar o estresse), sentei-me serenamente, cobertorzinho nas pernas, abri o caderno mais ou menos pelo quarto final.

Era apontamento de uma de nossas últimas conversas, muito antiga. Coincidentemente em minha casa, numa madrugada de inverno, regada a boa taça de vinho (sim, também esses detalhes eu anotei).  Entre aspas seu pensamento exatamente como tinha sido proferido (lembro da paciência com a qual sustentava o desdobramento das ideias enquanto eu, o mais ligeira possível, tentava estenografar):

“A nítida consciência da nossa finitude – que muitas vezes nos assalta, perturba e abala no meio da noite – é erro a ser evitado. Nosso tempo não está restrito ao agora e ao aqui. Sempre resta pouco tempo nessa substancialidade (de decadência sem piedade de tudo que existe). Contudo, o tempo da plenitude é indelével.”

Tranquilizei-me. A palavras ecoando: tempo – plenitude – indelével... indelével. Adormeci. Adormeci sem saber sequer sonhar o quanto lhe sou grata, indelevelmente.    

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Fonte: Marina Gold

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