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"Almida", além da comida

30 ago 2019
09h00
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Quando a banda Titãs, com seu pop-rock (acho que é isso, me corrijam os críticos especialistas), canta: “A gente não quer só comida”, mostrando a seguir que a vida e os desejos humanos também precisam de arte, diversão, componentes imateriais; mesmo sem referirem de maneira direta, aludem à questão da força espiritual dos alimentos.

 Ensaio da banda Titãs, com a formação Tony Bellotto (guitarra), Branco Mello (voz e baixo), Sergio Britto (voz, teclado e baixo), Mario Fabre (bateria) e Beto Lee (guitarra).
Ensaio da banda Titãs, com a formação Tony Bellotto (guitarra), Branco Mello (voz e baixo), Sergio Britto (voz, teclado e baixo), Mario Fabre (bateria) e Beto Lee (guitarra).
Foto: MÁRCIO FERNANDES DE OLIVEIRA / Estadão Conteúdo

Do A de acelga ao Z do zabaglione, do A em abobrinha ou Z em zucchini (a mesma abobrinha, chamada à italiana – chic!), é preciso cuidado com aquilo que colocamos para dentro do corpo. É preciso valorizar não apenas os aspectos materiais dos alimentos, mas também os potenciais energéticos. “A gente não quer só comida”... a gente quer nutrição inclusive para o espírito, a gente quer “almida” (comida para a alma). 

A experiência de alimentação, olhada como um todo, não deve ser apenas um encontro com sabores, mas também com forças transcendentes. Um algodão-doce, por exemplo, mais do que uma nuvem de açúcar, pode guiar uma viagem de retorno à infância, derretendo na boca leve como aqueles dias. 

Ultrapassando o sentido literal da comida podemos explorar novos terrenos, repletos de paixões. Trata-se de encontrar a “almida” da pimenta, da azeitona, do leite ou de qualquer outra escolha: um conjunto de correspondências que enriqueçam nossa relação com o mundo. 

As “almidas” não participam somente da fluidez do corpo, agitam nossa interioridade, produzem efeitos na dimensão espiritual. “Almidas” estimulam, confortam, inspiram, alegram e assim por diante. Imagine um pão quentinho e crocante, uma taça de vinho perfumada, uma xicara dourada de chá, uma talhada fresca de melão ou um tablete cremoso de chocolate. Além de deliciosos, são alimentos portadores de memórias, ritos, mistérios, poderes. 

Cada um deve cuidar para, em necessidade, ter “almida” que faça bem à sua espiritualidade. Eu, há muito tempo, escolhi a minha. Não foi fácil eleger, mas decidi. Fico com o tomate. Ele não captura apenas meu cérebro em seus sentidos degustadores, vai além, sacia meu apetite por tudo que é simples, essencial.

Volto ao tema em breve. Deixando o convite para o leitor: faça como eu, encontre a complexa simplicidade do tomate, simplicidade que é o mais alto grau da sabedoria. 

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Fonte: Marina Gold
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