O número de ursos capturados e abatidos quase triplicou em relação ao ano anterior, chegando a 14.601, uma média de 40 por dia. Trata-se de um recorde que supera com folga o pico anterior, de pouco mais de 9 mil animais mortos registrado em 2023, de acordo com dados divulgados na segunda-feira (11) pelo Ministério do Meio Ambiente do Japão.
Ataques de ursos causaram 13 mortes no país no ano passado, mais que o dobro do recorde anterior. Desde o início de 2026, um ataque fatal já foi confirmado, e outras duas mortes são suspeitas de terem sido causadas por ursos.
Durante o ano fiscal encerrado em 31 de março, as autoridades também registraram mais de 50 mil avistamentos de ursos em todo o país, mais que o dobro do recorde anterior, estabelecido dois anos antes, segundo os mesmos dados.
Algumas regiões do norte do Japão também relataram, em abril, mais de quatro vezes o número de avistamentos em comparação com o mesmo período do ano passado, à medida que os animais saíam da hibernação, segundo a mídia japonesa.
Superpopulação
No ano passado, ursos foram vistos entrando em casas, circulando perto de escolas e invadindo supermercados e spas quase diariamente. Cientistas acreditam que a população do animal aumentou significativamente nos últimos anos, enquanto o número de pessoas vivendo em áreas rurais diminuiu.
Diante do aumento dos ataques, o governo anunciou, em abril do ano passado, um pacote de medidas para conter os animais. Policiais japoneses armados com rifles passaram a ser autorizados a abatê-los.
Segundo especialistas, a população de ursos vem crescendo, em parte, graças à abundância de alimentos — incluindo bolotas, veados e javalis — influenciada pelo aquecimento climático. Essa "superpopulação" teria forçado os animais a deixar as montanhas, que cobrem cerca de 80% do território japonês, e a se aproximar de áreas habitadas.
A população de ursos-negros-asiáticos chegou a 42 mil apenas na ilha principal de Honshu, segundo um relatório do governo publicado em 2025. Já a população de ursos-pardos no Japão dobrou em três décadas e hoje gira em torno de 12 mil animais.
Com AFP