Dezenas de crianças palestinas morreram na Cisjordânia desde início de operações de Israel, diz Unicef

Setenta crianças palestinas foram mortas na Cisjordânia desde o início das operações israelenses em janeiro de 2025, denunciou nesta terça-feira (12) o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef). Segundo a agência da ONU, as forças israelenses foram responsáveis por 93% das mortes.

12 mai 2026 - 11h54

"As crianças estão pagando um preço intolerável em razão da intensificação das operações militares e dos ataques de colonos realizados em toda a Cisjordânia ocupada, inclusive em Jerusalém Oriental", declarou o porta-voz do Unicef, James Elder, durante entrevista coletiva em Genebra. 

Cisjordânia: 70 crianças palestinas mortas desde o início das operações israelenses (ONU). Na foto, uma moradora palestina do campo de refugiados de Nur Shams caminha com uma criança ao lado de soldados israelenses, carregando pertences retirados de sua casa antes da demolição de edifícios residenciais no campo, perto de Tulkarem, na Cisjordânia ocupada por Israel, em 17 de dezembro de 2025.
Cisjordânia: 70 crianças palestinas mortas desde o início das operações israelenses (ONU). Na foto, uma moradora palestina do campo de refugiados de Nur Shams caminha com uma criança ao lado de soldados israelenses, carregando pertences retirados de sua casa antes da demolição de edifícios residenciais no campo, perto de Tulkarem, na Cisjordânia ocupada por Israel, em 17 de dezembro de 2025.
Foto: AFP - ZAIN JAAFAR / RFI

"Entre janeiro de 2025 e hoje, ao menos uma criança palestina foi morta, em média, a cada semana na Cisjordânia ocupada, incluindo Jerusalém sob controle israelense. Isso representa 70 mortes nesse período", acrescentou. Segundo ele, outras cerca de 850 crianças ficaram feridas no mesmo intervalo, a maioria atingida por balas.

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Segundo a ONU, o mês de março registrou o maior número de palestinos feridos por colonos israelenses em pelo menos 20 anos. Elder citou casos de crianças "feridas por balas, esfaqueadas, espancadas e atingidas por spray de pimenta". 

O porta-voz indicou ainda que, nos quatro primeiros meses do ano, mais de 2.500 palestinos, incluindo 1.100 crianças, foram deslocados na Cisjordânia - número que supera o total de deslocamentos registrados em todo o ano de 2025. Dados recentes mostram também que 347 crianças palestinas estão atualmente em detenção militar israelense por supostas infrações ligadas à segurança, um patamar que não era registrado havia oito anos. 

ONU quer "medidas imediatas" 

O Unicef pediu às autoridades israelenses que "tomem medidas imediatas e decisivas para impedir que outras crianças palestinas sejam mortas ou mutiladas" e apelou para que "Estados com influência usem seu peso para garantir o respeito ao direito internacional". 

A violência aumentou de forma significativa na Cisjordânia desde o início da guerra em Gaza, desencadeada pelo ataque do grupo islâmico palestino Hamas ao sul de Israel em 7 de outubro de 2023. Em janeiro de 2025, o Exército israelense lançou uma "operação antiterrorista" voltada principalmente a campos de refugiados palestinos na Cisjordânia.

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Sanções da UE contra colonos israelenses

A União Europeia chegou a um acordo na segunda-feira (11) para sancionar colonos extremistas israelenses responsáveis por atos de violência contra palestinos na Cisjordânia. A medida foi adotada sem ampliar, porém, as sanções contra Israel, apesar da pressão de vários Estados-membros. 

O primeiro‑ministro israelense, Benjamin Netanyahu, reagiu denunciando a "falência moral" do bloco. 

As sanções preveem o congelamento de bens na União Europeia e a proibição de entrada no bloco. Elas estavam bloqueadas havia meses por um veto da Hungria e ainda precisam ser formalmente aprovadas pelos 27 países-membros. O acordo inclui também sanções contra dirigentes do grupo islâmico palestino Hamas, igualmente paralisadas até então pelo veto húngaro relacionado às medidas contra os colonos extremistas. 

Com AFP

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