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"O Mundo", do Tarot, pode ensinar sobre viver feliz diante das incertezas

Desde que o mundo é mundo e passamos a habitá-lo como espécie homo sapiens (homem sábio), buscamos explicações para aprender a interagir, sobreviver e de certo modo avançar ao longo dos anos, perpetuando a espécie e de muitas formas colaborando em sua transformação - que por si só, se transforma e que por ele também […]

17 fev 2023 - 18h00
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Desde que o mundo é mundo e passamos a habitá-lo como espécie homo sapiens (homem sábio), buscamos explicações para aprender a interagir, sobreviver e de certo modo avançar ao longo dos anos, perpetuando a espécie e de muitas formas colaborando em sua transformação - que por si só, se transforma e que por ele também somos mudados. Por mais que você e eu não desejemos nos mover rumo aos "imprevistos", pelo simples fato de que aquilo que já conhecemos nos traz conforto, segurança e uma certa satisfação, nós estamos basicamente em uma esteira e se ficarmos parados sobre ela, seu movimento nos arremessa para longe. É possível então viver com segurança e certeza, diante dessa constante mudança, sem impedir o fluxo da vida e sofrer por isso? A carta "O Mundo", do Tarot, tem muito a nos ensinar.

Veja os ensinamentos dessa carta -
Veja os ensinamentos dessa carta -
Foto: Shutterstock / João Bidu

O conto Zen

Certa vez, um monge e seu discípulo, rumo a suas viagens nos alpes, encontraram no caminho uma casa com moradores muito humildes e solícitos, mas com uma vida quase que indigna. Tinham o seu sustento basicamente em razão de uma vaquinha. Tiravam o leite, queijo, manteiga e disso viviam e trocavam. Saindo dali, o monge fala ao seu discípulo - "retorna e empurra aquela vaquinha no precipício!". O discípulo, mesmo horrorizado e com muita lástima, seguiu a ordem. Depois de alguns anos, retornando da viagem, eles passaram novamente pelo caminho e avistaram a casa, que agora estava totalmente reformada e os moradores basicamente irreconhecíveis, mais joviais, com o semblante vivo e nitidamente melhores alimentados. O discípulo incrédulo chegou mais perto e perguntou o que tinha acontecido. Então eles disseram que a vaquinha rolou o precipício e que com isso tiveram que ir para a cidade - lá se informaram como poderiam trabalhar e buscar recursos, aprenderam novas coisas e ofícios, se aperfeiçoaram melhorando não só a qualidade deles, mas também do povoado que ali vivia, já que passaram a fornecer produtos variados e de qualidade.

Qual é a sua vaquinha?

Não é à toa que tenhamos tanto apego ao que ou a quem a gente conquista, afinal destinamos esforços físicos, mentais, emocionais e tempo. Mas qual a real garantia que isso ou essa pessoa continuará em nosso caminho? É impossível saber! Nos resta somente seguir a mesma lógica dita no início: de transformar e sermos modificados, somos os agentes e ao mesmo tempo o resultado do experimento, e se esse princípio não for constante, o sofrimento se fará presente - seja na monotonia, na escassez, na frieza ou na indiferença. Porque é tão desafiador olharmos para a qualidade que isso implica em nossa vida, nos apegarmos somente nos resultados das transformações que ocorrem em nós?

O que você procura também te procura

Se olharmos para a natureza veremos o quão sábia ela é, e algumas vezes ela passará por nós e empurrará a nossa vaquinha no precipício, para que a gente desperte, reaja e vá em busca. O poeta pérsio, Rumi (1207), disse uma vez que "aquilo que você procura está procurando você". Se você busca a felicidade, ela te encontrará. O seu papel é confiar e continuar buscando, é encontrar segurança nos cenários da incerteza, ou seja, saber que seus conceitos são todos provisórios, tem apenas o melhor que consegue obter até agora, mas possuir a permanente determinação de utilizar as oportunidades de aprendizado que a vida lhe oferece para aprimorar estes conceitos.

Simbologia do "O Mundo"

Mas, é possível ter certeza e com isso a segurança constante que nós tanto buscamos? E a resposta é sim, pois o sentido da vida humana é o aprimoramento. A representação desse arcano maior do tarot, "O Mundo", possui muitos elementos e o que mais impressiona é o nível de equilíbrio na distribuição desses símbolos, que remetem a ideia de que para chegar no estado de aprimoramento é preciso organizar a vida e nos darmos na medida correta para coisas, deixarmos de lado o que não convém para a nossa evolução. 

Nas extremidades desta carta, podemos encontrar alguns animais já formados: são símbolos dos aspectos que envolvem nossa formação, individualização e a vida. São eles: um Touro, representando as coisas materiais (emprego, casa, relacionamento e tudo aquilo que é possível ter, é o Elemento Terra), um Leão, representando a força do espírito (ainda não é a nossa consciência superior, mas sim o ego, a vontade, a iniciativa, é o Elemento Fogo), uma águia representando os sentimentos (o prazer, as emoções, a lente com que enxergamos o mundo exterior, é o Elemento Água) e por fim um anjo, representando a mentalidade (pensamentos, a lógica, a razão, as ideias, a mente, o Elemento Ar). Com isso, sobrará o espaço necessário para o encontro com a nossa consciência superior. O símbolo central do "O Mundo"é representado por uma figura seminua. Vemos então que é impossível encontrá-la no meio do caos, da bagunça, da correria que mesmo sendo o pavor de muitos, acaba sendo o melhor modo de viver, pois assim não haverá o perigo de olhar para dentro e confrontar essa consciência superior. 

Caminho é sempre por dentro

Os verdadeiros sonhos que não estão nem perto de serem realizados, já que se está mergulhado em distrações constantes na busca da segurança exterior.  Envolta dela vemos uma espécie de auréola oval que a preserva e a individualiza de todos os outros aspectos da vida, ela está totalmente segura, ancorada e centrada, porque sabe quem é, não se dilui no que se tem, deseja, sente ou imagina. Ela sabe preservar o seu aprimoramento constante e a partir daí, se responsabiliza por aprimorar também os aspectos que envolvem a sua vida.

Felipe Bezerra é Tarólogo, Astrólogo e Terapeuta Holístico na Origem Therapias.

João Bidu
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