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Um pai para toda obra

11 ago 2019
09h00
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A mulher, fim da gestação, rumava para o parto. Primeiro filho. Ele estava apreensivo, ansioso. Sua angustia era entender como poderia ser “um bom pai”, “um grande pai”, “um super pai”... “o melhor pai do mundo”.

Na consulta, voltada para as questões da paternidade, recebemos, justamente como deveria ser, a Presença Espiritual do pai dele. Havia morrido há muito tempo. Pouco tinha podido acompanhar a trajetória do filho por aqui. Agora, feliz e orgulhoso, via o neto a caminho como renovação e especial continuidade.

Muito sereno, com intensa energia emanando em vibração, colocou-se atrás de mim, apoiou ambas as mãos nos meus ombros, pressionou levemente e transmitiu sua mensagem. A voz aveludada, agradável, pausava esperando que eu compartilhasse cada frase com seu filho. 

O teor era de tranquilidade. Lembrou ao filho que a nova missão diante dele já havia sido enfrentada por muitos. “Houve um caso, meu filho”, indicou, “em que um decreto da parte de um dos Augustos exigiu que todos fossem registrados. Todo mundo foi para a sua cidade natal, uma chateação. Aquele futuro pai – o exemplo que segui e quero que você siga! – também precisou deixar sua casa, levando sua esposa grávida por caminhos perigosos e áridos”.

O rapaz ao meu lado, visivelmente emocionado, balançou a cabeça para cima e para baixo. Os lábios se elevaram, discretamente, em sinal de contentamento e aprovação. Eu respirei fundo, um suspiro, e prossegui na medida em que recebia as frases. 

“Como eu”, disse o nosso visitante, “esse dedicado pai também morreu jovem, mal acompanhando o término da infância do filho. Porém, a dedicação e coragem daquele futuro pai – o exemplo que segui e quero que você siga! –, protegendo a mulher e a criança no ventre, revelam que ele era mais do que um pai, ele era um pai para toda obra”.

O rapaz, comovido, fechou os olhos e abaixou a cabeça como quem recebe uma benção. As lágrimas caiam sobre o peito, uma chuva que irrigava a camiseta de algodão.

Chorou longamente. Depois, catarse feita, recompôs-se. Antes de ir embora, busquei a Bíblia, queria partilhar com ele uma passagem. Expliquei o contexto e li. Tratado com desdém, um “profeta sem honra”, Jesus é ironizado pelo povo que, sem convicção, não aceita a sabedoria de alguém de origens humildes: “Ora, não é este o filho do carpinteiro?” (Mateus 13:55). Sim, além de carpinteiro, pai para toda obra. 

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Fonte: Marina Gold
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