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Cada época da história tem seus terrores próprios

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Há um interessante vídeo no You Tube, feito por Daniel Turkewitz, lindo, mostrando um fato curioso. Na noite do aniversário do atentado de 11 de setembro, nas faixas de luz projetadas no céu de Nova York em memória aos mortos, apareceram milhares de pequenos objetos brancos. Podemos pensar em almas? Devemos? Na verdade eram pássaros migratórios, desviados de sua rota pela luz.

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Foto: Getty Images

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Cada época da história humana tem seus terrores próprios. Em geral são assombrações merecidas, criadas pelo inconsciente coletivo, mas com frequência não representam claramente os desafios e perigos que nos ameaçam de verdade. Os fantasmas que criamos, normalmente, nos inquietam muito, mesmo que não apontem para os problemas que estão nos aguardando. Os alarmes proféticos não costumam revelar o por vir.

Pensando nisso, lembro, nove anos depois, de um encontro curioso que tive com o Padre Quevedo em um canal de TV. Corriam exatamente esses dias de setembro que antecedem a entrada da primavera, as Torres Gêmeas havia despencado ruidosamente e o mundo não sabia bem ao certo como as coisas se desdobrariam, como a chamada política internacional resolveria os impasses evidenciados.

Num clima de forte ansiedade no ar, recebi o convite. Municiei-me de fé, uma oração, algum estudo de uma interessante escola da psicologia alemã chamada Gestalt e fui para a fama e para o carinho (não tão agradável assim!) da forte exposição às luzes feéricas do estúdio de TV.

O tema, e haviam me informado de antemão, era o seguinte: uma ou outra foto da tragédia novaiorquina de poucos dias, revelava gigantescas nuvens de fumaça (do incêndio dos edifícios) nas quais podíamos vislumbrar, num canto ou noutro, com algum auxílio de boa-vontade e capacidade imaginativa, figuras suspeitíssimas: demônios, criaturas de aspecto maligno, entidades malditas, terrificantes.

As coisas não saíram bem como os produtores do programa esperavam. Queriam que a posição do padre chocasse violentamente contra a minha. Ele negando qualquer justificativa para as "figuras" e eu, como esotérica, defendendo essas materializações, forças indomáveis, emanações da energia negativa. Seria uma controvérsia interminável, ótima para os índices de audiência. As coisas não saíram como esperavam. Com convicção, sabia que tudo ali não passava de forte fantasia, coisa de criança.

Minha tarefa, exercício que procurei cumprir com cuidado, era desalienar, indicar que podemos encontrar anjos ou flores, unicórnios ou morcegos, em um número enorme de manchas ou coisas disformes: na camiseta que descolorimos com batik, no borrão de café sobre uma toalha de pano, no bolinho de pingar (delicioso, como tradicionalmente se sabe, cheio de açúcar e canela, adoçando tardes chuvosas), na mancha de tinta que o importante teste psicológico de Rorschach nos apresenta em pranchas sucessivas, e mesmo na pipoca, conseguimos ver outras coisas que não a simples pipoca - escolhas abertas conforme o gosto de cada um.

Minha participação não foi das mais intensas, não gerei a discórdia almejada, não entrei no clima, fugi do sensacionalismo rasteiro. Se eu me arrependo? De maneira nenhuma. Se não for audaciosa presunção, diria que minha tarefa foi educar, negar a facilidade especulativa que marca o assunto e explicar que nem tudo é esotérico nesse mundo, principalmente explicar que as coisas verdadeiramente esotéricas são mais veladas e misteriosas do que fumaça se espalhando pelos ares.

Quer saber mais sobre o trabalho de Marina Gold, ou entrar em contato com ela, clique aqui.

Fonte: Especial para Terra
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