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Arquivos de Epstein não contêm provas de 'simulação de pandemia' nem de canibalismo

VÍDEO DISTORCE CONTEÚDO DOS ARQUIVOS SOBRE INVESTIGAÇÕES DE CRIMES DO FINANCISTA

10 fev 2026 - 12h02
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Nota: a reportagem contém descrições de violência.

Arquivos Epstein não confirmaram que ‘famosos se alimentavam de bebês’, diferente do que diz vídeo
Arquivos Epstein não confirmaram que ‘famosos se alimentavam de bebês’, diferente do que diz vídeo
Foto: Reprodução/Redes Sociais / Estadão

O que estão compartilhando: vídeo alega que os milhões de arquivos relacionados ao bilionário Jeffrey Epstein provam que "famosos do mundo todo estavam comendo bebês". O conteúdo ainda afirma que a elite teria planejado a "simulação da pandemia" com o empresário Bill Gates. "Tudo isso foi confirmado", diz o vídeo.

O Estadão Verifica checou e concluiu que: é enganoso. Não há provas nos arquivos de Epstein de canibalismo ou de planejamento da pandemia de covid.

Entre os documentos da investigação sobre o financista, há o testemunho de um homem não identificado sobre assassinato de crianças e cenas de violência. Contudo, o Serviço de Inteligência dos EUA, o FBI, não investigou a acusação por falta de provas.

Também não há comprovação de que a pandemia de covid-19 tenha sido criada por uma elite global. A teoria da conspiração circula há anos nas redes sociais. A hipótese mais aceita pela comunidade científica mundial é de que o vírus surgiu na natureza, como mostrou o Verifica.

Quais documentos foram liberados pelos EUA?

O Departamento de Justiça dos Estados Unidos divulgou, no dia 30 de janeiro, com base na Lei de Transparência dos Arquivos Epstein, três milhões de páginas, 180 mil imagens e dois mil vídeos relacionados a investigações contra o criminoso sexual. Os documentos estão disponíveis no site do departamento americano.

Nomes e rostos de famosos aparecem nos arquivos que foram tornados públicos. Há citações ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao empresário Elon Musk, ao ex-príncipe do Reino Unido Andrew, ao ex-presidente Bill Clinton e outros. A menção ou imagem incluída nos arquivos não necessariamente indicam relação com crimes. Personalidades como Trump negam envolvimento com o caso.

Como publicou o Estadão, a partir de informações da Associated Press, os investigadores do FBI concluíram que Epstein abusou sexualmente de menores de idade, mas encontraram poucas evidências de que o financista liderava uma rede de tráfico sexual destinada a atender homens poderosos.

Qual o relato sobre canibalismo com bebês nos arquivos?

As alegações de graves violências contra bebês estão registradas na transcrição de uma entrevista entre agentes de inteligência e um homem anônimo em 2019. O indivíduo é apontado, segundo os arquivos, como uma vítima dos crimes de Epstein nos anos 2000.

O documento (registrado aqui) relata que o homem testemunhou um "sacrifício ritualístico", "bebês sendo desmembrados" e "outros atos de canibalismo" em um iate do financista. Segundo o relato, ex-presidentes estariam presentes no barco "enquanto todos os atos de violência mencionados estavam ocorrendo".

Outro registro do Departamento de Justiça (aqui) cita a entrevista com a suposta vítima em uma troca de e-mail entre um aparente agente do FBI e um detetive da polícia de Nova York. Neste arquivo, um funcionário do serviço de inteligência concluiu que: "não é recomendável que sejam gastos recursos adicionais de investigação em relação à alegação".

Em ambos os arquivos, a investigação aponta que o homem não forneceu provas que corroborassem as acusações.

Uma busca na biblioteca dos arquivos Epstein resulta em 51 ocorrências da palavra "canibal" e em seis para "canibalismo", sendo que alguns registros são duplicados. As menções incluem resumos de notícias, um programa acadêmico e e-mails sobre "um restaurante chamado Canibal".

O site de checagem de fatos americano Snopes, signatário da International Fact-Checking Network (IFCN), verificou a alegação sobre canibalismo com bebês e apontou que não há ligação comprovada nos arquivos de Epstein de que o crime tenha sido cometido pelo financista e aliados.

Documentos não provam criação da pandemia

A teoria de que a pandemia de covid-19 foi criada por uma elite global circula há anos em conteúdos conspiracionistas nas redes sociais, mas nunca foi provada. A hipótese de origem natural do vírus é a mais aceita na comunidade científica internacional, devido a dados publicados em estudos revisados por pares.

Não há nos arquivos de Epstein nenhum documento que comprove a criação do vírus por uma elite global.

O que existe é uma troca de e-mails nos quais o financista e Bill Gates, dono da Microsoft, são convidados para uma conferência em Genebra, na Suíça. O título do painel é: "Preparando-se para pandemias: lições aprendidas para respostas mais eficazes". Os convites foram enviados pelo diplomata norueguês Terje Rod-Larsen, ex-presidente do Instituto Internacional da Paz, em 2015 (aqui).

O site do instituto registrou, na época, que o evento discutiu sobre como se preparar para futuros surtos, a partir de experiências passadas como cólera, gripe espanhola e Ebola. O artigo cita que especialistas, representantes da sociedade civil e instituições participaram do encontro. A Fundação Bill e Melinda Gates, de Bill Gates, é mencionada como um parceiro de "cooperação".

Não há qualquer evidência de que a palestra tenha servido como uma simulação para a pandemia de covid.

Em 2015, o dono da Microsoft havia alertado em outra palestra que o maior risco para a humanidade não era uma guerra nuclear, mas um vírus infeccioso que viria ameaçar milhões de pessoas. O vídeo dessa palestra foi usado em teorias da conspiração sobre o surgimento do coronavírus.

A fundação de Gates é conhecida por investir em pesquisas sobre vírus e apoiar a assistência médica no mundo. Especulações sobre a relação da instituição ou do empresário com a pandemia de covid-19 nunca foram comprovadas.

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