Ex-secretário dos EUA não apresentou provas de fraude eleitoral no Brasil
MIKE BENZ ACUSOU INTERFERÊNCIA AMERICANA NAS ELEIÇÕES DE 2022, MAS ISSO NÃO FICOU COMPROVADO; OBSERVADORES INTERNACIONAIS ATESTARAM SEGURANÇA DA VOTAÇÃO
O que estão compartilhando: que um depoimento do americano Mike Benz, ex-integrante do governo de Donald Trump, provaria que o Brasil foi vítima de um golpe de Estado e confirmaria que Jair Bolsonaro seria o "legítimo presidente".
O Estadão Verifica checou e concluiu que: é enganoso. Benz nunca apresentou provas de fraude eleitoral no Brasil. Na realidade, nunca houve registro de fraude na urna eletrônica. Diferentes observadores internacionais asseguraram que as eleições de 2022 ocorreram de forma segura.
A postagem se refere a declarações feitas pelo ex-funcionário do governo americano em 2025. Naquela ocasião, ele alegou que a Agência dos Estados Unidos para Desenvolvimento Internacional (sigla USAID, em inglês) teria censurado políticos de direita, incluindo Bolsonaro, sob o argumento de combate à desinformação. As acusações de Benz nunca foram comprovadas.
Saiba mais: Os conteúdos virais se referem a declarações feitas no ano passado por Benz. Ele concedeu uma entrevista ao podcast War Room, do ex-estrategista de Trump Steve Bannon, em 4 de fevereiro de 2025. Na ocasião, Benz afirmou que "se a USAID não existisse, Jair Bolsonaro ainda seria o presidente do Brasil, e o País ainda teria uma internet livre e aberta".
As declarações de Benz foram usadas em campanhas desinformativas para contestar o resultado do pleito presidencial de 2022. Mas nunca foi comprovada interferência no resultado eleitoral.
Benz disse na entrevista que a USAID teria injetado "dezenas de milhões de dólares dos contribuintes americanos" para pressionar o Congresso brasileiro a aprovar leis contra a desinformação e financiar advogados que atuariam no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para minar o apoio político ao ex-presidente.
Mas, diferentemente do que alegou o americano, a campanha presidencial de 2022 não foi afetada pela "aprovação" de leis de combate à desinformação. Isso porque o "PL das Fake News" (PL 2.630/2020), que só entrou na pauta em 2023, nunca foi aprovado. A proposta está engavetada desde abril de 2024.
Em uma audiência pública na Câmara dos Deputados do Brasil, em agosto de 2025, Benz acusou organizações e agências de checagem de receber milhões de dólares da USAID para "instrumentalizá-las no controle da informação". O americano disse que o objetivo era "fortalecer a oposição e censurar os conservadores, principalmente nas redes sociais".
Novamente, não há qualquer prova do que disse Benz. O Verifica mostrou que, durante o período fiscal de 2022, a USAID financiou projetos no Brasil relacionados à saúde, educação e assistência social. A reportagem conferiu contratos de 2022 a 2023, com base nas informações disponibilizadas no site ForeignAssistance.gov, e mostrou que não há registro de repasses relacionados às eleições.
Também não há registro de que a USAID tenha financiado projetos do TSE durante as eleições. O tribunal brasileiro não aparece na lista de beneficiados pela instituição estrangeira em 2022, quando ocorreu o pleito presidencial.
A equipe do Verifica mostrou que os investimentos da USAID ocorrem no Brasil ao menos desde 2001. Além disso, noticiou que é falso que a Agência Lupa tenha sido financiada pela em campanhas da USAID de combate à desinformação. Confira um compilado de checagens sobre o tema aqui.
A USAID é uma organização de ajuda humanitária criada na década de 1960 para fornecer assistência humanitária a outros países. Desde o início do mandato de Trump, a agência é atacada por apoiadores do presidente. A USAID foi encerrada pela gestão americana em junho do ano passado.
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