Vídeo em que jovem diz ter a 'vida perfeita' não foi gravado por suspeito da morte do cão Orelha
CONTEÚDO FOI PUBLICADO COMO UMA ENCENAÇÃO NO TIKTOK; DEFESA DISSE QUE GRAVAÇÃO NÃO FOI FEITA POR ADOLESCENTES SUSPEITOS
O que estão compartilhando: vídeo em que um adolescente que estaria envolvido na agressão contra o cão comunitário Orelha se manifesta. "Eu tenho a vida perfeita, minha família me ama, eu fui para Disney, eu tenho vários amigos, acha que eu vou estragar minha vida espancando um cachorro de rua?", diz o garoto.
O Estadão Verifica checou e concluiu que: é falso. A defesa de dois dos rapazes investigados disse à reportagem que o conteúdo não foi gravado pelos adolescentes suspeitos de participação no caso. O vídeo foi publicado originalmente com o título "POV" - uma trend no TikTok em que usuários geralmente fazem encenações. A conta que publicou o vídeo foi apagada da rede social.
O nome de usuário presente na marca d'água inserida pela própria plataforma de vídeos também foi ocultado nas publicações virais. A reportagem procurou pela conta, mas ela havia sido apagada da rede social.
Outros comentários afirmaram em postagens que o conteúdo do jovem era criado por inteligência artificial, mas não foi possível encontrar indícios de geração digital na filmagem.
A Polícia Civil de Santa Catarina informou, em nota, que não confirma a imagem de investigados, "até porque o procedimento policial segue em sigilo, em decorrência de envolver adolescentes".
Defesa nega que imagem seja dos adolescentes
Procurada pelo Verifica, a defesa de dois rapazes investigados disse que o "vídeo não traz o rosto de nenhum dos adolescentes supostamente envolvidos [caso do Orelha]" e indicou que o conteúdo poderia ter sido criado com IA.
No comunicado, os advogados Alexandre Kale e Rodrigo Duarte lamentaram a exposição da identidade e da imagem dos jovens nas redes sociais sem que as investigações tenham sido concluídas.
Como mostrou o Estadão, os representantes legais dos adolescentes obtiveram na Justiça uma liminar para que plataformas digitais como Instagram, Facebook, WhatsApp e TikTok excluam postagens com informações pessoais sobre os investigados.
Caso do Cão Orelha
O cachorro comunitário Orelha morreu no início de janeiro após ser agredido na Praia Brava, em Florianópolis. Como noticiou o Estadão, o cão precisou ser submetido à eutanásia devido a lesões graves na cabeça, segundo informações do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC).
Inicialmente, a Polícia Civil de Santa Catarina investigava quatro adolescentes supostamente envolvidos com as agressões. Contudo, a participação de um jovem foi descartada após a comprovação de que ele não estava no local no momento do crime.
No dia 26 de janeiro, foram cumpridos mandados de busca e apreensão na residência dos suspeitos, mas ninguém foi preso. Três familiares dos adolescentes foram indiciados pela Polícia Civil por coação de testemunha.
O caso do cachorro Orelha causou comoção nacional e mobilizou atos no Brasil no domingo, 1º de fevereiro. Os manifestantes protestaram contra os maus-tratos aos animais e pediam justiça pela morte do cão.
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