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É falso que micro-ondas mate nutrientes e DNA de alimentos

PRESERVAÇÃO DE VITAMINAS E ENZIMAS DEPENDE MAIS DA TEMPERATURA ATINGIDA DO QUE DO MÉTODO DE AQUECIMENTO

27 jan 2026 - 12h55
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O que estão compartilhando: que o micro-ondas mata as vitaminas e o DNA dos alimentos.

Vídeo apresenta informações falsas sobre micro-ondas.
Vídeo apresenta informações falsas sobre micro-ondas.
Foto: Reprodução/Instagram / Estadão

O Estadão Verifica investigou e concluiu que: é falso. O micro-ondas não é capaz de destruir o DNA ou os nutrientes de um alimento. A preservação de nutrientes depende mais da temperatura atingida do que do método de aquecimento. O método usado pelo micro-ondas para aquecer alimentos é seguro e não apresenta riscos à saúde.

Saiba mais: O conteúdo é narrado por uma voz criada com inteligência artificial. A ferramenta Hiya/Invid, que detecta conteúdos gerados por IA, apontou 94% de chances de o áudio ser artificial. Já a plataforma Hive Moderation mostrou 99% de possibilidade de uso de ferramentas de IA.

Até a publicação desta checagem, a postagem no Instagram chegou a 392 mil curtidas e mais de 4 mil comentários.

Micro-ondas aquece os alimentos usando radiação segura

O micro-ondas utiliza uma radiação chamada de "eletromagnética", um tipo de luz ou sinal que carrega energia na forma de ondas. Quando as micro-ondas são transmitidas no aparelho, elas agem diretamente nas moléculas de água do alimento que está lá dentro. Ao receberem a radiação, essas moléculas começam a vibrar intensamente, gerando calor.

Esse processo não oferece risco à saúde. O professor da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP) e pesquisador do Centro de Pesquisa em Alimentos (FoRC) Jorge Andrey Wilhelms Gut explicou ao Verifica nesta checagem que a radiação do micro-ondas não faz mal.

"Existem algumas radiações eletromagnéticas que são chamadas de ionizantes", afirmou. "Elas podem quebrar moléculas e causar danos, como os raios ultravioleta do sol, os raios X de equipamentos médicos ou raios gama emitidos por materiais radioativos".

"Já ondas de rádio e micro-ondas não são ionizantes, elas não têm a capacidade de alterar substâncias. Apenas podem promover o aquecimento", completou.

Entenda mais sobre o funcionamento: Micro-ondas causa alterações na comida? É prejudicial ficar perto do aparelho? Investigamos

Micro-ondas não destrói nutrientes de alimentos

A ideia de que o micro-ondas destrói os nutrientes dos alimentos não tem sustentação científica, segundo a médica nutróloga Isolda Prado, docente e diretora da Associação Brasileira de Nutrologia (Abran).

"O micro-ondas utiliza radiação não ionizante, na faixa das micro-ondas, que não tem energia suficiente para quebrar ligações químicas, alterar DNA ou transformar alimentos em algo 'tóxico'", explicou.

Segundo a nutróloga, não há diferença entre esquentar a comida no fogão ou no micro-ondas, nutricionalmente falando.

"O que importa é a temperatura final atingida, o tempo de aquecimento e a presença de água, oxigênio e luz — fatores que influenciam a degradação de nutrientes em qualquer método", explicou.

De acordo com a especialista, o micro-ondas tende a preservar melhor alguns nutrientes em comparação a métodos tradicionais, como a fervura prolongada. Isso ocorre porque o micro-ondas aquece os alimentos mais rápido e, muitas vezes, com menos água.

"Há estudos mostrando maior retenção de vitamina C, polifenóis e antioxidantes em vegetais preparados no micro-ondas, em comparação à cocção em água no fogão", disse Prado.

Vitaminas e enzimas podem se degradar em qualquer tipo de método de aquecimento

O vídeo afirma que, com o micro-ondas, "as vitaminas somem" e "as enzimas morrem", o que também não é verdade. Prado explica que o principal fator de perda nutricional de vitaminas e enzimas é o calor e o tempo de exposição à fonte de aquecimento.

A vitamina C e algumas vitaminas do complexo B podem ser parcialmente degradadas tanto no fogão quanto no forno ou micro-ondas. Já as enzimas são proteínas sensíveis ao calor, que são desintegradas em qualquer método de cozimento.

"A maioria das enzimas naturais dos alimentos já é inativada no próprio processo digestivo humano, pelo ácido gástrico e pelas enzimas pancreáticas", explicou.

Outra afirmação do vídeo é que o nosso corpo "não reconhece" o alimento aquecido pelo micro-ondas como comida - o que, mais uma vez, não faz sentido, de acordo com Prado.

"A ideia de que precisamos ingerir enzimas vivas dos alimentos para que eles sejam reconhecidos como comida pelo corpo, de uma maneira geral, não corresponde à fisiologia humana", avaliou.

'Experimento' com planta não tem validade científica

O vídeo mostra ainda um "experimento", em que uma planta regada com água aquecida no micro-ondas morre "em cinco dias".

Mas o experimento não é um modelo científico válido, segundo a diretora da Abran. Ele não segue uma padronização, controle de variáveis ou embasamento biológico claro.

"Plantas não são bons modelos para avaliar qualidade nutricional de alimentos, e esse tipo de demonstração é um clássico exemplo de experimento anedótico, usado para causar impacto emocional, não para gerar conhecimento confiável", esclareceu.

Estadão
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