É falso que 'sicário' de Daniel Vorcaro esteja vivo; morte foi confirmada por múltiplas fontes
LUIZ PHILLIPI MACHADO DE MORAES MOURÃO FOI VELADO E ENTERRADO EM BELO HORIZONTE NO DIA 8 DE MARÇO
O que estão compartilhando: que Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como o "sicário" do banqueiro Daniel Vorcaro, não teria morrido. Na verdade, ele estaria escondido. Prova disso seria que não houve velório.
O Estadão Verifica investigou e concluiu que: é falso. Múltiplas fontes confirmam a morte do "sicário". Mourão tentou suicídio no dia 4 de março, enquanto estava sob custódia da Polícia Federal (PF) em Minas Gerais. O ato foi registrado por câmeras de segurança "sem pontos cegos", segundo a PF. A morte foi confirmada oficialmente no dia 6 e está registrada em cartório. O velório ocorreu no dia 8; o Verifica falou com um dos convidados da cerimônia. O corpo de Mourão foi sepultado no cemitério do Bonfim, em Belo Horizonte.
Saiba mais: Um vídeo que foi assistido mais de 230 mil vezes em 24 horas no Facebook diz que, ao contrário do que foi amplamente divulgado pela imprensa profissional, Mourão não estaria morto.
O vídeo afirma que ele estaria escondido e que teria passado a viver sob uma outra identidade, sob a condição de que não trouxesse a público informações que poderiam prejudicar pessoas poderosas.
Uma das "evidências" apresentadas no vídeo seria a falta de um velório para Mourão, mas isso não é verdade.
Sicário foi velado em Belo Horizonte
O velório de Mourão ocorreu no dia 8 de março, conforme informou o jornal Bom Dia MG. A cerimônia foi em unidade do Grupo Zelo, em Belo Horizonte. O sepultamento ocorreu no mesmo dia, no Cemitério do Bonfim, também na capital mineira. A administração do cemitério confirmou a informação ao Verifica.
O grupo Zelo tem um serviço online de consulta por jazigos. Uma busca pelo nome de Mourão retornou um resultado, indicando a localização do túmulo dele.
O advogado Rômulo de Carvalho Ferraz, que já representou Mourão em casos no passado, foi convidado para o velório, mas não pôde comparecer. "A cerimônia foi restrita a família e amigos próximos", disse. Ferraz disse ainda que foi procurado pela mãe e pela irmã de Mourão para obterem informações sobre eventuais direitos sucessórios.
PF disse que morte de Mourão foi filmada
Mourão atentou contra a própria vida no dia 4 de março na Superintendência Regional da PF em Minas Gerais. Ele havia sido preso na terceira fase da Operação Compliance Zero, que investiga uma fraude bilionária no Banco Master.
O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, afirmou ao portal G1 que toda a ação de Mourão e o atendimento feito pelos policiais foram filmados sem pontos cegos. Os registros em vídeo que mostram o caso devem ser entregues ao gabinete do ministro André Mendonça, relator do caso Master no Supremo Tribunal Federal (STF).
Mourão passou por procedimentos de reanimação e foi atendido pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), que o levou ao hospital. A morte dele foi confirmada oficialmente na noite de sexta-feira, 6.
O corpo de Mourão foi levado para o Instituto Médico-Legal Dr. André Roquette (IMLAR). A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) informou ao Verifica que na ocasião o corpo de um homem de 43 anos passou por exames e em seguida foi liberado aos familiares.
A certidão de óbito foi lavrada no sábado, 7, no 1º Subdistrito de Registro Civil e Pessoas Naturais da capital mineira. Essa informação foi confirmada pelo cartório em nota ao Verifica.
Por lei, o documento só pode ser emitido mediante a apresentação obrigatória de uma Declaração de Óbito (DO) assinada por um médico que esteja com o registro no Conselho Regional de Medicina (CRF) ativo. De acordo com a escrevente Isis Carvalho, o cartório confere a situação do profissional de saúde em um sistema no ato do registro.
Recentemente o Verifica checou outras informações erradas que viralizaram nas redes sociais sobre o escândalo do banco Master. Dentre elas, a equipe de checagem mostrou que a jornalista Malu Gaspar não foi citada por Vorcaro em evento nos EUA em 2024.