Pesquisa que encontrou bactérias fecais em gelo de fast foods é de 2017 e não foi feita no Brasil
AMOSTRAS FORAM COLETADAS POR PROGRAMA DE TV DO REINO UNIDO
O que estão compartilhando: que metade das amostras de gelo testadas nas redes de fast food KFC, McDonald's e Burger King continha níveis preocupantes de bactérias fecais.
O Estadão Verifica investigou e concluiu que: é enganoso. A pesquisa foi feita por um programa de TV da BBC em 2017; as amostras foram coletadas apenas no Reino Unido. A postagem analisada omite essas informações. Não há registro de pesquisa semelhante feita em unidades dessas redes de fast food no Brasil.
Saiba mais: A publicação acumula 2,7 mil comentários. "Eu já não comia nada nesses fast foods agora que não vou lá mesmo!!!!", disse um usuário do Instagram. As falas se dividem entre espanto com o teor do conteúdo e dúvidas sobre onde a pesquisa citada foi feita.
O estudo é da BBC, de um programa de TV chamado Watchdog. O Verifica não encontrou o clipe original, mas há notícias compartilhadas na época da veiculação do programa que narram o episódio (aqui, aqui).
O que mostrou o programa?
O programa analisou peças de gelo de dez filiais aleatórias de restaurantes das redes McDonald's, KFC e Burguer King. Notícias publicadas à época reportam que foram encontrados coliformes fecais em três amostras do McDonald's, seis do Burguer King e sete do KFC. Dessas, quatro do Burger King e KFC apresentaram níveis "significativos" de micro-organismos.
Ao programa, um porta-voz do KFC disse que a empresa ficou "chocada e extremamente decepcionada" com as descobertas e que uma limpeza e inspeção completa foi feita nos restaurantes afetados.
Um porta-voz do BK disse que "limpeza e higiene são prioridades máximas para a marca" e que trabalhava para reforçar esse procedimento.
Já o McDonald's comemorou, à época, que a bactéria Escherichia coli (E. coli) não foi encontrada nas amostras. Nessa rede, foram descobertos níveis de coliformes e enterococos.
"Estas podem ser usadas como uma avaliação da higiene da água, mas, como estão amplamente distribuídas no ambiente natural, não são indicadores confiáveis ??de potenciais riscos à saúde", disse um porta-voz da empresa.
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