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Sob ataque, Juliano Cazarré faz uma pergunta que ‘quebra’ qualquer homem 

Por trás da polêmica sobre o ativismo ideológico do ator há um problema sério que precisa ser discutido

27 abr 2026 - 09h59
(atualizado às 10h02)
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Em um vídeo nas redes, Juliano Cazarré faz uma pergunta diretamente à câmera.

“Como é que você está?”

Segue-se um longo silêncio.

A maioria dos homens passa a vida inteira sem ouvir essa preocupação a respeito de seu estado emocional.

É uma pergunta capaz de ‘quebrar as pernas’ de quem esconde fragilidades e dores por trás do escudo da masculinidade.

Não importa se é de direita ou esquerda, conservador ou progressista, hétero ou gay, branco ou preto.

O homem brasileiro, em geral, vive sob opressão desde a infância: sente dificuldade de chorar, desabafar, pedir socorro.

O resultado é um dano trágico ao bem-estar psíquico: 75% dos suicídios no país são de pessoas do sexo masculino.

Jovens, velhos, ricos, pobres, casados, solteiros. Todos estão suscetíveis às consequências desse condicionamento rígido do que é ser homem.

Os protestos suscitados pelo curso de Cazarré a fim de recuperar a “masculinidade” são legítimos: teme-se o incentivo à virilidade agressiva que afeta a segurança das mulheres.

Mas dessa iniciativa controversa podemos tirar um aspecto relevante: a necessidade de todas as instâncias — a família, a escola, o mundo corporativo, a saúde pública e privada etc. — darem mais atenção ao estado mental masculino.

Trata-se de uma medida preventiva urgente que pode ajudar a evitar futuras consequências drásticas, como feminicídios e autocídios. 

Cuidar da estrutura emocional dos homens não significa validar comportamentos criminosos ou romantizar modelos ultrapassados de masculinidade. 

Significa, antes de tudo, reconhecer que existe um sofrimento silencioso que atravessa gerações e que continua sendo negligenciado. 

Por isso, grupos do tipo ‘legendários’ — alvos de críticas e deboches, sem um necessário debate — viram uma ‘muleta’ a quem não encontra apoio em outros lugares.

“Como é que você está?” deveria ser uma pergunta cotidiana, com uma escuta acolhedora para a resposta.

Nenhum homem consegue ser forte o tempo todo.

Da polêmica suscitada por Juliano Cazarré é possível se fazer um debate importante sobre a saúde mental dos homens
Da polêmica suscitada por Juliano Cazarré é possível se fazer um debate importante sobre a saúde mental dos homens
Foto: TV Globo/Divulgação
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