É encenação vídeo em que homem em situação de rua recusa emprego para continuar recebendo auxílio
FILMAGEM FOI PUBLICADA POR CONTA NO TIKTOK QUE DIVULGA VÍDEOS DE SITUAÇÕES FICTÍCIAS
O que estão compartilhando: vídeo em que um homem em situação de rua recusa um emprego com salário de R$ 2 mil para continuar recebendo auxílio de R$ 600 do governo.
O Estadão Verifica investigou e concluiu que: é falso. A gravação foi publicada em um canal do TikTok que divulga vídeos encenados. O homem que parece estar em situação de rua no vídeo aparece em outras postagens do canal desempenhando outros papéis. Vale dizer que aceitar um emprego não implica na perda automática de benefícios sociais.
Saiba mais: No vídeo, a pessoa que filma aborda um homem, que atua como se estivesse em situação de rua. O ator pede R$ 5,00 e quem faz a gravação responde fingindo oferecer um emprego com salário de R$ 2 mil. O outro recusa a oferta, afirmando ter medo de perder o auxílio que recebe do governo.
O vídeo foi publicado no dia 18 deste mês por uma conta no TikTok que posta diferentes encenações. Analisando as publicações desse canal, é possível perceber que as mesmas pessoas aparecem em várias produções, mas desempenhando papéis diferentes. Uma delas é o homem que atua como pessoa em situação de rua. Ele também apareceu em um quadro de charadas e atuou como golpista em outros vídeos.
O dono da conta não respondeu à tentativa de contato do Verifica.
No Instagram, o vídeo foi reproduzido sem nenhum aviso de que a situação mostrada era fictícia. A postagem ganhou 273 mil curtidas e 29,3 mil comentários. Procurado, o responsável pela conta no Instagram respondeu que "se é real ou não, (o vídeo) retrata exatamente o que estamos vivendo, pois já aconteceu diversas vezes comigo".
Aceitar um emprego não leva automaticamente à perda de auxílio
Aceitar um emprego não leva automaticamente à perda de auxílio, segundo explica a advogada Izabelle Paes Omena de Oliveira Lima, especialista em Direito Eleitoral e sócia do escritório Callado, Petrin, Paes & Cezar Advogados.
"No Bolsa Família, existe uma Regra de Proteção, em que o beneficiário pode manter o benefício parcialmente por um período, justamente para evitar o 'efeito medo' de perder tudo ao conseguir emprego", esclareceu.
Para receber o Bolsa Família, é preciso que a família beneficiada tenha renda de até R$ 218 por pessoa. Pela Regra de Proteção, mesmo quando esse limite é ultrapassado, o beneficiário não é excluído do programa. A família pode receber metade do que recebia antes por até dois anos. Mas a renda por pessoa não pode ultrapassar meio salário mínimo.
De acordo com pesquisadores consultados anteriormente pelo Estadão Verifica, embora o programa de distribuição de renda possa diminuir em alguns casos a procura por colocação entre aqueles que já são atendidos, não há registro massivo de quem deixe o emprego para viver do benefício.