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Não há evidências de que passar perfume no pescoço possa causar alterações na tireoide

MESMO QUE FICASSE PROVADO QUE FRAGRÂNCIAS PODEM CAUSAR ALTERAÇÕES HORMONAIS, NÃO FARIA DIFERENÇA NENHUMA EVITAR BORRIFAR ÁREA DO PESCOÇO

21 jan 2026 - 16h16
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O que estão compartilhando: postagem alerta a nunca borrifar perfume no pescoço, porque a área fica sobre a tireoide e a fragrância pode causar alterações hormonais.

Não há estudos que comprovem a relação de causa e efeito ou dose e efeito entre o uso de perfume no pescoço e problemas na tireoide
Não há estudos que comprovem a relação de causa e efeito ou dose e efeito entre o uso de perfume no pescoço e problemas na tireoide
Foto: Reprodução/Instagram / Estadão

O Estadão Verifica investigou e concluiu que: é enganoso. Não há evidências científicas que justifiquem essa recomendação, nem estudos que comprovem a relação de causa e efeito entre o uso de perfume no pescoço e problemas na tireoide. Mesmo que ficasse provado que perfumes podem causar alterações hormonais, não faria diferença nenhuma evitar a área do pescoço. Endocrinologistas ouvidas pelo Verifica explicaram que a absorção do produto independe da área onde ele é aplicado. Saiba mais abaixo.

Saiba mais: A postagem analisada foi publicada pelo médico José Nasser. Procurado, ele manteve suas alegações. Ele afirmou não fazer alarmismo e disse que apresenta artigos científicos em posts publicados nas redes sociais.

Porém, na postagem analisada, foram citadas duas referências. Uma não fala sobre perfumes e a outra não existe, conforme buscas realizadas pelas especialistas entrevistadas pelo Verifica.

Devo deixar de passar perfume no pescoço?

A postagem recomenda medidas como aplicar o perfume nas roupas, manter distância do cabelo ou utilizar o produto em áreas afastadas do pescoço, como nos pulsos e atrás dos joelhos. Mas essas estratégias não fariam diferença alguma caso a aplicação de perfume no pescoço estivesse associada a alterações na tireoide.

Segundo a endocrinologista Maria Izabel Chiamolera, da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia de São Paulo (SBEM-SP), a absorção do produto ocorre pela pele e independe da região do corpo em que é aplicado.

"Só o pescoço não vai fazer diferença nenhuma porque a absorção é pela pele, o produto vai entrar pela pele para a circulação e ele vai passar na circulação, no pulso vai acontecer o mesmo", disse.

O que são disruptores endócrinos?

A justificativa da postagem para evitar a aplicação de fragrâncias no pescoço é que os perfumes têm compostos associados à disrupção endócrina. Segundo o post, o uso na região do corpo que fica sobre a tireoide poderia interferir na sinalização hormonal, processo pelo qual os hormônios enviam mensagens ao corpo.

É verdade que existem disruptores endócrinos em cosméticos, mas até o momento não há evidência de que eles tenham o efeito alegado na postagem.

As endocrinologistas ouvidas pelo Verifica explicaram que os chamados desreguladores endócrinos são substâncias químicas capazes de alterar a função endócrina, que regula e controla várias funções do organismo por meio da produção de hormônios. Esses compostos estão presentes em plásticos, pesticidas agrícolas, produtos de limpeza e cosméticos.

No entanto, o mecanismo de ação dos disruptores ainda não é totalmente conhecido, o que dificulta estabelecer de que forma ou em que nível de exposição eles poderiam causar danos à saúde.

O que se sabe até agora sobre disruptores endócrinos?

Os desreguladores endócrinos estão presentes em diversos produtos com os quais o ser humano tem contato frequente. Embora existam evidências de que esses compostos podem alterar a função hormonal e trazer problemas à saúde, as especialistas entrevistadas pontuaram que a maneira como essas substâncias impactam o organismo ainda não foi totalmente compreendida.

De acordo com a professora Luciana Verçoza Viana, do Departamento de Medicina Interna da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), entre os principais desreguladores endócrinos estão:

Bisfenol A, utilizado na produção de plásticos de policarbonato e resinas epóxi; Ftalatos, substâncias químicas usadas em cosméticos e produtos de cuidados pessoais para aumentar a durabilidade dos plásticos; Pesticidas e herbicidas, como atrazina, glifosato, clorpirifós, DDT e ziram; Metais pesados, como mercúrio, cádmio e chumbo; Filtros UV presentes em cosméticos, como benzophenone-3 (oxibenzona), octinoxate e 4-MBC; Parabenos, entre eles methylparaben, propylparaben e butylparaben, também presentes em cosméticos

As evidências disponíveis até o momento não são suficientes para embasar recomendações de evitar todos os produtos com desreguladores endócrinos, segundo Chiamolera, da SBEM-SP.

"Se a gente começasse a falar que não pode usar, provavelmente a gente não poderia usar nada porque tudo é passível de ter essas substâncias químicas", afirmou.

Por que ainda não existem evidências sobre o assunto?

A professora Luciana explicou que, para que se possa comprovar que um perfume causa um efeito hormonal relevante, é preciso expor um grupo de pessoas a um determinado produto e outro, não. Depois é preciso acompanhar essas pessoas por tempo suficiente para avaliar se elas desenvolveram a alteração hormonal em questão. Isso ainda não foi feito.

Como dito anteriormente, há uma falta de evidências científicas robustas sobre os disruptores endócrinos. De acordo com Chiamolera, isso está relacionado à complexidade de estudar esses compostos químicos e as reações que eles causam no organismo.

Segundo a especialista, muitos desses agentes apresentam um efeito chamado não-monotônico, no qual a relação entre a dose e o efeito não segue um padrão linear.

"Às vezes, a gente vê algum efeito no sistema endócrino até em doses que são abaixo da dose considerada tóxica", disse a médica.

A especialista destacou ainda que os efeitos dos desreguladores endócrinos dependem da fase da vida em que o indivíduo é exposto a essas substâncias.

"Se ele foi exposto, por exemplo, dentro da barriga da mãe, você pode ter um efeito. Se ele foi exposto na adolescência, pode ter outro efeito. A gente fala que existem janelas de suscetibilidade", afirmou.

"Hoje em dia, a gente se preocupa muito com o período perinatal, entre o intrauterino e o pós-parto, a amamentação, a infância e a adolescência. São esses períodos que acabam sendo particularmente críticos para ter algum efeito", observou.

O que realmente faz mal à tireoide?

A tireoide é uma glândula que regula a função de órgãos como coração, cérebro, fígado e rins por meio dos hormônios T3 e T4.

Viana pontuou que os fatores conhecidos por alterar o funcionamento da tireoide são:

exposição à radiação; excesso ou deficiência de iodo; deficiência de selênio; uso de algumas medicações para transtorno bipolar; uso de antiarrítmicos.

Existem alguns desreguladores endócrinos que de fato alteram a função tireoidiana. De acordo com a professora, são eles:

perclorato, presente em fertilizantes; tiocianatos, presentes no cigarro e em alguns alimentos. Leia tambémDevemos nos preocupar com disruptores endócrinos? Oncologista responde

Estadão
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