Magno Malta não disse que Flávio Bolsonaro deveria sair preso de CPMI do INSS; vídeo foi editado
SENADOR FALAVA COM PAULO CAMISOTTI, FILHO DE EMPRESÁRIO ACUSADO DE DESVIOS
O que estão compartilhando: que o senador Magno Malta (PL-ES) teria criticado uma esquema de "rachadinha" envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e dito que ele deveria sair da CPMI do INSS preso, assim como o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.
O Estadão Verifica investigou e concluiu que: é enganoso. O vídeo foi adulterado para inserir a imagem de Flávio Bolsonaro enquanto Magno Malta falava. As declarações do senador, na realidade, foram dirigidas a Paulo Camisotti, filho do empresário Maurício Camisotti, preso sob a acusação de ser um dos operadores do esquema de desvios de benefícios de aposentados e pensionistas do INSS. O conteúdo também foi editado para cortar os trechos que deixavam evidente que o alvo das declarações não era Flávio Bolsonaro. Paulo Camisotti foi ouvido na CPMI do INSS no dia 26 de fevereiro de 2026 na condição de testemunha, mas permaneceu em silêncio.
Saiba mais: O vídeo editado de Magno Malta foi compartilhado em diversas contas do TikTok no início desta semana. Uma das postagens teve mais de 80 mil visualizações em pouco mais de 24 horas.
Nos comentários, algumas pessoas estranharam o conteúdo e chamaram a atenção para o fato de Malta e Bolsonaro serem aliados. Outros dizem que o senador capixaba finalmente resolveu falar a verdade.
Fala foi dirigida a Paulo Camisotti, não a Flávio
O vídeo original com as declarações de Malta está disponível no canal oficial do YouTube da Câmara dos Deputados e foi transmitido ao vivo no dia 26 de fevereiro de 2026.
Nesse dia, durante a tarde, a CPMI do INSS ouviu na condição de testemunha o engenheiro Paulo Camisotti. Ele é filho de Maurício Camisotti, empresário preso em setembro do ano passado, junto com o chamado Careca do INSS, acusado de ser um dos operadores do esquema de fraude nos descontos de benefícios de aposentados.
Mesmo sendo testemunha, Paulo Camisotti compareceu à comissão com um Habeas corpus e não respondeu às perguntas dos deputados e senadores. O trecho usado no vídeo enganoso ocorre logo depois de o senador do Espírito Santo afirmar que o silêncio de Camisotti significava que ele consentia com os crimes contra os aposentados.
Em seguida, Malta afirma:
"Se o senhor não sair preso daqui hoje, é preciso que esta Comissão faça um requerimento, um requerimento... Eu estou dentro do art. 53. O senhor não pode me interromper. Não vai me interromper, eu já estou lhe avisando logo! É preciso que a CPI faça um requerimento pedindo a soltura do Careca do INSS, porque o senhor não é melhor do que ele. Aqui não tem um petista, aqui não ficou ninguém para defendê-lo. Eles estavam aqui por causa do Lulinha, e é uma injustiça, porque Lulinha não é melhor do que você. Aliás, vocês são da mesma escola! Nós vivemos na era cibernética e a sua imagem... Eu não sei se a câmera está em mim ou está nele. Pode pôr a câmera nele; em mim, não. A cara dele tem que ser vista, para que as pessoas que o autorizaram a roubar o dinheiro delas, o consignado, que elas nunca pediram nem para você, nem para seu pai... Que apodreça seu pai na cadeia e que lá também seja o seu lugar, porque gente feito seu pai, feito o Careca do INSS, esse DNA de roubo, de ladrões, de assaltantes, sem sentimento, sem qualquer tipo de empatia… Se Vossa Excelência. não quiser que eu chame de ladrão, eu chamo de afanador. Eu mudo a palavra: afanador".
Os trechos destacados em negrito foram omitidos do vídeo viral. A transmissão original também mostra que, quando Malta pede que a câmera mostre o rosto da pessoa a quem ele se dirige, é a imagem de Camisotti que aparece na transmissão, não a de Flávio.
CPMI diz que família Camisotti recebeu mais dinheiro do que o Careca do INSS
Durante o depoimento de Camisotti à CPMI do INSS, o relator da comissão, deputado Alfredo Gaspar (União-AL) defendeu que o status dele fosse alterado de testemunha para investigado, já que, além de herdeiro, ele é considerado peça chave na operação do esquema de fraudes.
Para Gaspar, R$ 350 milhões desviados dos aposentados chegaram diretamente a empresas da família Camisotti, o que é mais do que o valor operado pelo Careca do INSS. Dessas empresas, cerca de 20 são, segundo a CPMI, presididas ou representadas por Paulo Camisotti, algumas delas apontadas como receptoras de dinheiro desviado dos aposentados.
Ao ser questionado sobre a relação dele ou de suas empresas com as associações investigadas, Paulo Camisotti respondeu: "Vou permanecer em silêncio".