Estátua de Baal não foi queimada no Irã em comemoração a ataques dos EUA e de Israel
ATOS OCORRERAM EM DIVERSAS CIDADES DO PAÍS NO DIA 11 DE FEVEREIRO, NAS CELEBRAÇÕES DOS 47 ANOS DA REVOLUÇÃO IRANIANA DE 1979
O que estão compartilhando: que iranianos queimaram uma estátua de Baal após o ataque dos Estados Unidos e de Israel ao país. Nos comentários de um dos vídeos virais, pessoas comemoram a ação como se ela representasse uma "limpeza" promovida pelo presidente americano, Donald Trump, e pelo governo israelense.
O Estadão Verifica investigou e concluiu que: falta contexto. O vídeo mostra uma escultura do deus Baal incendiada no Irã no dia 11 de fevereiro de 2026, ou seja, antes do ataque inicial dos EUA e de Israel contra o país, no dia 28. De acordo com a mídia iraniana, diversas representações de Baal foram queimadas durante as comemorações dos 47 anos da Revolução Iraniana de 1979. Muitas das estátuas queimadas tinham imagens da Estrela de Davi - símbolo de Israel - e do rosto de Trump.
Saiba mais: No dia 28 de fevereiro, Estados Unidos e Israel iniciaram uma ofensiva militar contra o Irã. O país persa retaliou atacando alvos em diferentes países do Oriente Médio. Até o momento, o número de mortos no conflito passa de 1,2 mil, sendo mais de 190 crianças. Um dos mortos foi o aiatolá Ali Khamenei, que ocupava o posto de líder supremo do Irã desde 1989.
Não há relação entre a queima de estátuas de Baal e o conflito recente. Apesar disso, vários comentários em postagem afirmam que a manifestação seria em favor do ataque de EUA e Israel.
Por que manifestantes queimaram estátuas de Baal no Irã?
Antes da revolução de 1979, o Irã era uma monarquia governada pelo xá Reza Pahlavi. Após a revolução, o país passou a ser uma república islâmica sob o poder do aiatolá Ruhollah Khomeini, que morreu em 1989. Ele foi sucedido pelo aiatolá Ali Khamenei, morto no último dia 28 de fevereiro.
O governo do Irã patrocina anualmente comemorações pelo aniversário da Revolução Iraniana de 1979, geralmente em fevereiro. Esse mês marcou o retorno de Khomeini ao Irã para assumir o papel de líder supremo do país.
A queima das estátuas de Baal, no entanto, parece não estar diretamente ligada ao governo, embora exista relação com protestos anti-Israel e anti-Estados Unidos.
Segundo o site Iran International, os atos teriam sido organizados pelo Instituto Masaf, uma organização conservadora iraniana liderada pelo ativista Ali Akbar Raefipour.
A conta do ativista no X foi suspensa em 2022 após Raefipour ameaçar manifestantes antigoverno. Ele é conhecido por espalhar teorias conspiratórias, desinformação sobre a covid-19 e discurso antissemita.
Nas imagens da queima das estátuas de Baal, há protestos claros contra Israel e contra os Estados Unidos. Em algumas esculturas, foram colocadas fotos de Trump e da bandeira de Israel. Em outras, foi inserida apenas a Estrela de Davi. Em algumas publicações no X, há menções à queima do "Satanás" e das "raízes da opressão sionista".
O que é Baal e por que ele é alvo de protestos?
O nome Baal (ou ba-al) significa senhor, ou dono. Ele é um deus da fertilidade cultuado em comunidades antigas do Oriente Médio, principalmente em Canaã. É comum que seja representado com cabeça de touro e chifres.
Na tradição judaica e cristã, Baal é considerado um falso deus por ter, supostamente, "disputado" o culto oficial com Javé. Essa disputa teria ocorrido justamente em Israel.