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É falso que fone de ouvido sem fio com Bluetooth cause Alzheimer

APARELHO OPERA EM BAIXA FREQUÊNCIA E NÃO É CAPAZ DE CAUSAR DANOS À SAÚDE

6 fev 2026 - 10h20
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O que estão compartilhando: que o fone de ouvido sem fio Bluetooth é como um micro-ondas ligado na cabeça, que causa Alzheimer precoce.

Vídeo apresenta informações falsa sobre o uso de fones de ouvido sem fio.
Vídeo apresenta informações falsa sobre o uso de fones de ouvido sem fio.
Foto: Reprodução/Facebook / Estadão

O Estadão Verifica investigou e concluiu que: é falso. Especialistas ouvidos pelo Verifica confirmam que o fone de ouvido que utiliza o mecanismo Bluetooth opera em baixa frequência, e não é capaz de causar danos à saúde. Não há evidências científicas de que o aparelho cause Alzheimer pelo uso em condições normais. O vídeo viral apresenta indícios de criação por meio de inteligência artificial (IA).

Fones de ouvidos sem fio são seguros

O vídeo afirma que quem usa o fone sem fio está "segurando um pequeno micro-ondas ligado contra sua cabeça" pois a radiação teria o poder de romper a "barreira hematoencefálica" e causar demência e Alzheimer.

A alegação não tem comprovação científica, segundo o professor Adilson de Oliveira, do Departamento de Física da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e integrante do Verifísica, comissão de combate à desinformação da Sociedade Brasileira de Física (SBF).

Os fones sem fio funcionam via Bluetooth, mecanismo que funciona numa frequência de 2.4 GHz. Segundo o professor, a intensidade é baixa, incapaz de causar qualquer dano. É considerada uma radiação não ionizante, que é de baixa energia, usada em dispositivos do dia a dia.

"Não há evidências científicas que ele possa provocar algum mal", esclareceu o professor. "Para se ter uma ideia (a intensidade) é bem mais baixa do que as da rede Wi-Fi e da rede de celular", explicou.

Ambas as redes não trazem danos à saúde, porque a intensidade em que operam é mínima, segundo explicou Oliveira.

O uso e controle desses dispositivos segue uma regulação específica. Segundo a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), o Brasil utiliza os limites da Comissão Internacional de Proteção Contra Radiação Não Ionizante (ICNIRP), recomendados pela Organização Mundial de Saúde (OMS).

Ainda de acordo com a Anatel, os estudos desenvolvidos na OMS não encontraram evidências científicas convincentes de que a exposição humana a valores de campos eletromagnéticos abaixo dos limites estabelecidos cause efeitos adversos à saúde.

A comparação mostrada no vídeo do fone com o micro-ondas é infundada. O Verifica já mostrou que o processo que o aparelho usa para esquentar a comida não oferece risco à saúde.

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Não há comprovação científica da relação entre o uso de fones de ouvido sem fio e a incidência da doença de Alzheimer, segundo a médica Elisa de Paula, coordenadora do Departamento Científico de Neurologia Cognitiva e do Envelhecimento, da Academia Brasileira de Neurologia (ABN).

Elisa explicou que a literatura médica aborda possíveis efeitos da exposição à radiofrequência e aos campos eletromagnéticos emitidos por dispositivos sem fio em processos biológicos relacionados ao Alzheimer. Mas, até o momento, os resultados são conflitantes e não demonstram uma associação de causa direta entre o uso desses dispositivos e o desenvolvimento da doença em humanos.

O vídeo analisado pelo Verifica também afirma que a radiação do fone Bluetooth "rompe a barreira hematoencefálica", causando doenças. Elisa explicou que isso não tem embasamento científico. A barreira hematoencefálica (ou BHE) é uma estrutura capaz de regular o transporte de substâncias entre o sangue e o sistema nervoso central.

Segundo a médica da ABN, estudos sobre esse tema não são conclusivos e apresentam resultados mistos.

Há experimentos em ratos que mostraram um aumento temporário da permeabilidade da BHE em algumas situações experimentais, principalmente com exposições prolongadas ou em intensidades superiores às encontradas em dispositivos de uso cotidiano.

Nos níveis de radiação típicos de dispositivos comerciais, os resultados não mostram alterações significativas na barreira hematoencefálica. Ou seja, nas proporções usadas em fones de ouvidos sem fio no dia a dia, não há comprovação de riscos.

"É importante ressaltar que os níveis de exposição à radiofrequência de fones de ouvido Bluetooth são muito inferiores aos utilizados nos estudos que demonstraram algum efeito sobre a BHE. Não há evidência científica robusta de que o uso de fones de ouvido, nas condições normais de uso, cause ruptura da barreira hematoencefálica em humanos", explicou a neurologista.

Vale ressaltar que o diagnóstico de Alzheimer não é isolado, como insinua o vídeo. A doença tem causas multifatoriais, como fatores genéticos, ambientais e de estilo de vida. O fator de risco mais importante para todas as demências é a idade avançada.

Vídeo usa inteligência artificial

O conteúdo é narrado por uma voz criada com inteligência artificial. A ferramenta Hiya/Invid, que detecta conteúdos gerados por IA, apontou 97% de chances de o áudio ser artificial. Já a plataforma Hive Moderation mostrou uma pontuação agregada de 43,4% de chances de possibilidades de criação por IA.

O mesmo cenário e personagens usados no vídeo aparecem em outros vídeos de desinformação. O Verifica já desmentiu um conteúdo semelhante, que afirmava falsamente que o micro-ondas matava nutrientes e DNA de alimentos.

Por meio de busca reversa (saiba aqui como fazer) não foi possível identificar se o personagem usado deriva de alguma pessoa real. A nossa equipe já mostrou que usar a imagem de pessoas famosas ou não e modificá-las com IA é uma tática comum (leia aqui e aqui).

A pessoa que compartilhou o vídeo no Facebook já compartilhou desinformação em outros momentos e foi desmentido pelo Verifica (aqui).

Estadão
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