É falso que 'nova doença' esteja lotando hospitais no Brasil
NÃO HÁ REGISTRO DE 'NOVO VÍRUS' NO PAÍS, NEM DE AUMENTO ATÍPICO DE INTERNAÇÕES POR DOENÇAS INFECCIOSAS
O que estão compartilhando: vídeo em que um homem afirma que uma "nova doença" estaria lotando hospitais no Brasil. Ele cita especificamente o Hospital Odilon Behrens, em Belo Horizonte (MG), e afirma que a unidade está lotada de casos, inclusive com registro de mortes. Ele diz a direção do hospital teria proibido a divulgação da informação por causa do carnaval.
O Estadão Verifica apurou e concluiu que: é falso. Não há registro que de que uma "nova doença" esteja lotando hospitais no Brasil. O Ministério da Saúde nega a alegação. Também não procede a informação de que o Hospital Odilon Behrens esteja repleto de casos. Segundo a Prefeitura de Belo Horizonte, que administra a unidade de saúde, não há aumento atípico de internações por doenças infecciosas no hospital.
Saiba mais: o homem que aparece no vídeo fala diante da câmera e usa uma touca e casaco na cor preta. Há um rádio comunicador preso à parte superior da roupa. Ele diz que "aqui, nos Estados Unidos, já tem mais de 7 mil mortes". Esse número equivale às mortes no país por gripe, uma doença que não é nova (leia mais abaixo).
Em tom de teoria conspiratória, ele afirma que os casos no Brasil estariam sendo "abafados" porque "não querem acabar com o seu carnaval" e porque "querem trocar o seu DNA através de vacina". A legenda que acompanha o vídeo fala em uma "nova doença por um vírus desconhecido" que estaria se espalhando rapidamente pelo País com hospitais lotados. Mas todas essas alegações são falsas.
Em resposta ao Verifica, a Prefeitura de Belo Horizonte negou haver registros de casos suspeitos ou confirmados por um "novo vírus" na capital e afirmou que não há aumento atípico de internações por doenças infecciosas no Hospital Metropolitano Odilon Behrens (HOB).
Já o Ministério da Saúde disse que não é verdade que hospitais brasileiros estejam sendo impactados por uma suposta doença originada no exterior. "Não há registro de detecção de novos vírus no Brasil nem nos Estados Unidos", informou a pasta.
O dado de mais de 7 mil mortes no EUA se refere a gripe
O dado relacionado a mais de sete mil mortes nos Estados Unidos foi repercutido na imprensa e se refere a casos de gripe, não de uma nova doença. O número aparece no boletim de 9 de janeiro do Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC). O informe apontou 7,4 mil mortes na temporada 2025/2026.
Os casos mais comuns são de influenza A (H3N2), com predominância da cepa conhecida como subclado k, que respondeu por 91,5% das 436 amostras identificadas como vírus influenza A (H3N2) desde 28 de setembro de 2025.
Como mostrou o Verifica, a subclado k não é uma nova doença, mas sim uma nova variante do vírus influenza A (H3N2), causador da gripe. A virologista e infectologista Rita Medeiros, que é membro da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI) explica que isso é comum.
"A cada temporada de circulação do vírus influenza pode haver uma cepa nova. O vírus evolui geneticamente e o nome das variantes vai mudando, mas não se trata de uma nova doença", detalhou.
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Segundo a virologista, os casos da subclado K do vírus influenza A (H3N2) ainda são esporádicos no Brasil.
"Essa variante pode atingir um número maior de pessoas por ser nova, mas não está implicada em causar mais mortes, em causar situações caóticas", explicou.
De acordo com o boletim mais recente do Ministério da Saúde, foram notificados 5.587 hospitalizações por síndrome respiratória aguda grave (SRAG) neste ano, até 31 de janeiro. Desse total, apenas 18% está relacionado a influenza.
O Ministério da Saúde afirma que, até o momento, não há evidências de que a variante subclado K esteja relacionada a maior gravidade dos casos de gripe.
"Os sintomas são os já conhecidos da doença, como febre, dor no corpo, tosse e cansaço, com atenção para sinais de agravamento, como falta de ar e piora rápida do quadro", diz publicação no site da pasta.
Ainda de acordo com o Ministério da Saúde, "as vacinas disponibilizadas pelo SUS protegem contra formas graves da gripe, inclusive as causadas pelo subclado K".