Argentina fez algo inédito desde 1974: a reforma do seu mercado de trabalho
Governo de Milei aprovou no Senado reforma trabalhista que será votada no Congresso em março Mudanças propõem redução da remuneração, jornada de trabalho de 12 horas diárias e limitação do direito à greve
Após uma sessão de mais de 13 horas, os senadores argentinos deram sinal verde para o andamento da reforma trabalhista proposta pelo governo de Javier Milei. A chamada Lei de Modernização do Trabalho é a primeira grande vitória legislativa de Milei em 2026 e reescreve pilares do atual sistema trabalhista em vigor desde a década de 1970.
Ao mesmo tempo, as centrais sindicais preparam novas greves e ações judiciais para tentar impedir uma norma que, em sua opinião, torna a demissão mais barata, aumenta a jornada de trabalho e esvazia o direito à greve, enquanto o Executivo insiste que, sem esse tipo de reforma, a Argentina continuará presa a um mercado de trabalho rígido, com uma grande economia informal e pouco investimento.
O Senado aprova, mas as ruas não
O projeto de reforma trabalhista na Argentina superou seu principal obstáculo ao obter a maioria necessária no Senado, após mais de 13 horas de sessão, que resultaram em 42 votos a favor e 30 contra, sem abstenções. A medida foi aprovada enquanto gás lacrimogêneo e investidas policiais nas ruas reprimiam o descontentamento de trabalhadores e organizações sindicais. O balanço desses protestos é de pelo menos 15 feridos e dezenas de manifestantes presos. Com a aprovação do Senado, o Governo já está a articular para que a legislação laboral seja aprovada pelos Deputados sem grandes alterações, o que é considerado um mero procedimento com apoio já garantido.
Demissões mais baratas
O cerne econômico da reforma reside no cálculo da ...
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