Viva vida viva
Viver uma vida viva. Intensa em sua base espiritualista e na construção prática. Uma
vida na confluência, encontro corpo e alma, simplificando o complexo, tornando
rebuscado o simples.
Vida assim e vida daquele outro jeito, daquela maneira, de qualquer maneira, sem
maneira, é passagem, possibilidade de aprendizagem, desafio para crescer, verter,
reverter.
Eu, que atendi e atendo gentes e gentes, vi todo tipo de costura e nó, laço e tarrafa, a
vida que passa: morosa, amorosa, célere, acelerada, aos tropeços, aos saltos, aos
pulos, às cabriolas.
Posso dizer que, aqui e agora na minha longa experiência (sabedoria vai mais além),
embebida de vida, uma esponja pesada, densa das coisas, pinga o armazenado mesmo
ao mais leve toque, à mais suave apertadinha.
E de vida em vida essa minha vida, vivida e vívida, se envidou – a cliente que queria ser
mãe, a tia que mãe se viu, o pai que não queria ter filho, a filha que pai se tornou, a
esposa que virou irmã, o irmão que virou marido, verte e reverte, zigue e zague, o
caleidoscópio fazendo e desfazendo.
Vida também naquele estalo especial, paixão, amor. Vida vento vivo e liso que estufa a
vela e empurra a nau destino para singrar, algumas vezes sangrar. Recolhi tanto. Ainda
comigo muitos, inúmeros lances: amor demais, amor de menos, amor que chega
(cedo, pontual, ou atrasado), amor que não chega nunca. O velho, o da infância, o
novo, o de sempre. O esperado, o conquistado, a doce, o amargo.
Sem abdicar de esperança e de otimismo, nos caminhos retos mas também nos
desafios sinuosos, em topografia tediosa do plano ou nas aventuras escarpadas – em
sobe desce de tirar o fôlego –, ela, vida, em luta de expressão viva, viva viva.
Com seu poder de mostrar, de fazer ver, de verter e reverter, foi escola e carteira de
purificação, filtragem das essências do espiritual. Na borra retida dos dias, separada,
num cristal mais fino de tempo e memória, resta, essência fina e transparente, o
líquido de todo investimento digno de vida.
Como a tinta da caneta que vai abaixando, confecção múltipla, tanta prosa, alguma
burocracia, uma gotinha de poema, escorre, sempre tarde demais por aqui mas no
tempo esotérico apropriado e justo, esse nosso viver, preparo das vindouras, próximas
e mais intensas realizações espirituais.
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