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Tristeza: tenha coragem para encará-la de frente

Martin Dimitrov / iStock
14 jun 2017
13h02
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Muitas vezes, com frequência maior do que qualquer um gostaria, minha tarefa se torna pesada, acabo portadora de más notícias: “ele não volta”, “o negócio não será a contento”, “prepare-se para outro desdobramento”, e assim por diante. Nessas horas penso nos médicos ou nos policiais. Eles também, inúmeras vezes, carregando notícias ruins, informação desagradável, podem apenas dizer “sinto muito”.

As pessoas se estremecem — lógico! Como dizia o poeta Vinicius de Moraes, “é melhor ser alegre quer ser triste”. Não é fácil acolher as viradas do destino, os revezes da fortuna (como diziam os latinos). Há choro, espernear, conjuro. Movimentação emocional no sentido de afastar o sofrimento. Descargas importantes para que se consiga elaborar o luto, a perda, o sentimento de frustração e de injustiça.

Nessas circunstâncias o trabalho espiritual ganha a redobrada importância. Sua potência precisa se efetivar no terreno puramente metafísico, de ajustes cármicos, realinhamento de causalidades. Deve-se localizar a fonte geradora do impedimento que se acompanha aqui no plano terreno e, ajustando contas, expurgar, descarregar, aliviar a vibração perigosa e negativa.

De resto, cabe entender que não há um aspecto sem seu oposto complementar. Aurora e crepúsculo se revezam no giro da roda do taoísmo. A cultura contemporânea lida mal com a tristeza. É pena, porque isso só faz aumentar ainda mais o desvalimento, a solidão, os conflitos e angústias dos tristes que só podem ficar — perverso circuito vicioso — ainda mais tristes.

Por isso mesmo outra tarefa que abraço com regularidade é construir uma espécie de elogio da tristeza. Mostrar que a tristeza é, perfeitamente, uma forma de estar vivo. Uma condição de existência, em sua profundidade lenta e grave, tão (ou mais) humana quanto qualquer outra.

Infelizmente nossa cultura prefere uma alegria sem base, cheia de artifícios, sem espessura, evasiva, forçada, como um cheque sem fundos. Amadurecer (exatamente o que nossa cultura nega com todo empenho) é entender que para conquistar a alegria é preciso pagar o preço de se encarar a tristeza.

Ninguém morre de dor. Nem da física, menos ainda da psicológica. O sofrimento é uma contraparte da alegria e carrega possibilidades produtivas como confessou o mesmo Vinicius lembrado acima: “pra fazer um samba com beleza, é preciso um bocado de tristeza”.

Quer saber mais sobre o trabalho de Marina Gold ou entrar em contato com ela, clique aqui .

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