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Dia de Xangô: história, orações e ritual para o orixá da justiça

Neste 30 de setembro, saiba mais sobre a divindade - e como pedir sua ajuda!

30 set 2020
20h26
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Xangô é a divindade da justiça, dos raios e do trovão. Representado pelo elemento fogo e pelas cores marrom e vermelho, ele também simboliza o equilíbrio e as realizações. Rei da cidade de Oyó, o orixá justiceiro castiga os mentirosos, os ladrões e nada fica impune aos seus olhos. Possui um machado de duas faces, que protege seus filhos das injustiças e traz a lei do retorno para quem pratica o mal.

Devido ao sincretismo religioso com São Jerônimo, hoje (30) também é celebrado o dia de Xangô para a maioria dos umbandistas e candomblecistas. Ao solicitar justiça para ele, é importante lembrar que o machado corta para os dois lados e, antes de sua lei agir contra o outro, vai olhar primeiro para você e seus atos.

Não é à toa que seu ponto mais conhecido pede "maleme", perdão, ao invés de justiça. "Quem deve paga, quem merece recebe", por isso, prefira pedir sempre discernimento ao rei da nação yorubá. Confira tudo sobre o orixá das pedreiras e aproveite a data para receber seu auxílio!

Xangô e São Jerônimo

O orixá que enganou a morte é sincretizado com São Jerônimo, o santo católico que escreveu na pedra suas leis e julgamentos e amansou o leão. Em algumas casas de Umbanda e Candomblé, também possui sincretismo com São João Batista, ligado às fogueiras, trazendo essa assimilação.

  • Cores: marrom e vermelho escuro
  • Dia da semana: quarta-feira
  • Elemento: fogo
  • Símbolo: Oxê (machado de dois cortes)
  • Ervas: elevante, abre-caminho e manjericão
  • Pedra: meteorito
  • Animais: tartaruga e leão
  • Sincretismo: São Jerônimo e São João Batista
  • Velas: brancas, vermelhas ou marrons
  • Saudação: Kaô Kabecilê

Conheça a história de Xangô

De acordo com um dos itãs (lendas), Xangô era um poderoso rei e guerreiro que governava o reino de Oyó. Vestia-se de vermelho, a cor do fogo e que simboliza a realeza, e lutava com um machado de duas lâminas chamado Oxê. Seu reino possuía fartura de água e de alimentos e todos viviam muito alegres, com danças e festas.

O valente guerreiro, porém, como era muito vaidoso, não gostava de pessoas pobres e mal-vestidas, então ordenava que seus guardas prendessem qualquer pessoa descuidada que aparecesse pelo caminho. Um dia, eles encontraram o feiticeiro Exu, conhecido como guardador dos caminhos. Como estava maltrapilho, Xangô o ameaçou e expulsou do reino, ordenando que nunca mais voltasse. Irado, Exu prometeu se vingar.

Algum tempo depois, Oxalá, pai de Xangô, resolveu visitar o filho. Sabendo disso, Exu preparou sua vingança: apareceu no caminho de Oxalá e pediu-lhe ajuda para carregar barris de azeite. Como era bondoso, não recusou, mas Exu acabou derramando o azeite na roupa do pai de Xangô. Exu apareceu outras vezes durante a viagem tramando sua revanche, sujando-o com carvão e sal. Percebendo que sua roupa estava imunda, Oxalá tentou lavar-se em um riacho, mas a sujeira não saía de jeito algum. Isso porque estava enfeitiçado por Exu.

Ao chegar aos portões do reino, os guardas não o reconheceram e, achando se tratar de um mendigo, bateram nele e o prenderam. Na prisão, Oxalá encontrou muita gente inocente e injustiçada e amaldiçoou o reino, que passou a ter fome, sede e muita tristeza. Depois de 7 anos, desesperado que a grande seca não acabava, Xangô consultou um sábio adivinho, que revelou o acontecido. No mesmo instante, mandou buscarem seu pai na prisão, dando-lhe banho, alimento e cuidando de seus ferimentos. (Fonte: 'Ogum, o Rei de Muitas Faces e Outras Histórias Dos Orixás', livro de Lidia Chaib e Elizabeth Rodrigues)

"Os mais velhos já diziam que, toda vez que alguém morria atingido por um raio, era Xangô punindo a pessoa que foi injusta com os outros em vida. Uma casa atingida por um raio era o orixá mostrando seu poder e que o indivíduo deveria mudar sua forma de agir", complementa o sacerdote de Umbanda Diego Agassi.

Simpatia de Xangô para resolver casos na justiça

Conte com a ajuda do orixá para resolver mais rápido algum processo travado! Você vai precisar de uma pedra de cachoeira ou outro cristal grande, um copo com cerveja preta, sete velas palito de cor marrom e uma cópia do documento que está na justiça - ou escrever num papel o caso a ser solucionado.

"Coloque a pedra de cachoeira ou a que você tiver em cima do documento e o copo na frente da pedra (e não em cima). Encha-o com a cerveja preta e acenda as sete velas marrons em torno da pedra. A cada vela que acender, peça a pai Xangô para trazer justiça a esse caso e, se for de seu merecimento, a vitória.

Depois de deixar as velas queimarem até o final, descarte os restos no lixo e, a cerveja, jogue na pia em água corrente. Guarde o papel e agradeça com uma saudação. Kaô Kabecilê!", ensina Diego.

Orações poderosas a Xangô

"Poderoso Orixá de Umbanda, Pai, companheiro e guia, Senhor do equilíbrio e da justiça, auxiliar da Lei do Carma, Só Vós tendes o direito de acompanhar, pela eternidade, todas as causas, todas as defesas, acusações e eleições provindas das ações desordenadas dos atos puros e benfazejos que praticamos. Senhor de todos os maciços e cordilheiras, símbolo e sede da Vossa atuação planetária no físico, no astral e no mental. Soberano Senhor do equilíbrio e da equidade, velai pela inteireza do nosso caráter. Ajudai-nos com Vossa prudência. Defendei-nos das nossas perversões, ingratidões, antipatias, falsidades, incontenção da palavra e julgamento indevido, dos atos dos nossos irmãos em humanidade. Só Vós sois o grande Julgador. Axé!"

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Consultoria: Diego Agassi Nunes, sacerdote de Umbanda | Texto e edição: Renata Rocha

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