A avareza impede que a vida seja desfrutada em seu esplendor
Coisa estranha o dinheiro. Pode ser nada e tudo ao mesmo tempo. Se bem usado, com consciência social, se transforma em progresso, impulsiona prosperidade e grandes ideias; se equivocadamente empregado, ao invés de auxiliar no funcionamento da existência, torna-se estéril, cheira miséria e morte, promove flagelo, atormentamento e luta insana.
» Sem usufruir do terreno, não há a plenitude energética
» Siga Vida e Estilo no Twitter
» vc repórter: mande fotos e notícias
Falo disso por sentir que estamos atravessando dias de exagerada valorização da riqueza e da cobiça. Avareza, um dos pecados capitais, está presente em nosso cotidiano de maneira cada vez mais assustadoramente normal. Infelizmente, em nosso meio assumidamente consumista e incitador do desperdício, falta harmonia e equilíbrio, desejos (às vezes mais do que banais, limitados e decepcionantes) se sobrepõem à possibilidade de transcendência, impedindo que a vida seja desfrutada em seu esplendor de possibilidades e mistérios.
Nesses tempos, abundantes como nunca de bens materiais e confortos de todo tipo, vivemos carentes, paradoxalmente, de prodigalidade. O dinheiro deixou de ser um meio e se tornou um fim em si mesmo. Muitas pessoas, iludidas, esquecem, por excesso de querer ter e acumular, como saborear as frutas do jardim. Sem respeitar a utilidade do dinheiro. Por todo canto é a cobiça que se espalha, rompendo o acordo social em idolatria vazia e perigosa.
Vamos entender com cuidado: o dinheiro não é mais do que dinheiro. Sem essa certeza, criaremos sociedades injustas e carentes de senso de dignidade, dando ao dinheiro mais importância do que ele tem. Refletindo bem, o dinheiro é coisa melancólica. Morrer com trinta milhões no banco é desperdiçar trinta milhões de oportunidades de tê-lo usado bem. Ainda pior, é assumir não compreender trinta milhões de vezes que não podemos viver sem os demais, sem nos socializarmos, sem dependermos uns dos outros.
Plutarco, grande na sabedoria e na sensibilidade, indicava: "a bebida elimina a sede, a comida satisfaz a fome; mas o ouro não elimina nunca a avareza". Tinha razão, o ávaro nunca acumulou o bastante, nunca está seguro de ter o suficiente. Vive dilacerado, eternamente na véspera. Interessado em acumular um capital que não emprega para nada, pois, sem objetivos legítimos, sua trajetória não passa de um vício grotesco.
Com sua visão límpida das coisas, Ghandi indicou: "na Terra, há o suficiente para satisfazer as necessidades de todos, mas não tanto para satisfazer a avareza de alguns". Acertou no diagnóstico e nas corajosas formas prática de enfrentar serenamente o problema. Inspirados pelo otimismo inabalável que caracterizou a trajetória dessa grande figura devemos, entendendo que a contrapartida da avareza é a generosidade, lutar com confiança para que se espalhe tanto a generosidade material como sua irmã mais velha, a dos sentimentos.
Do ponto de vista do esoterismo, posso afiançar que, na medida em que elas crescem, nossos carmas enfraquecem e a vida fica mais iluminada. Isso sim é que é poupança!
Quer saber mais sobre o trabalho de Marina Gold, ou entrar em contato com ela, clique aqui.