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De viagens solo a retiros de bem-estar: o que será tendência em 2027?

Viagens solo, experiências de bem-estar e roteiros personalizados estão entre as tendências que prometem transformar o turismo em 2027, segundo pesquisa

14 out 2026 - 20h07
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Resumo
Pesquisa da rede Hilton com a Morning Consult aponta que o turismo em 2027 priorizará experiências autênticas e bem-estar em vez de roteiros rígidos. Entre as tendências destacam-se viagens solo flexíveis, busca por relaxamento junto à natureza, escapadas curtas e atividades que gerem novos aprendizados duradouros. O estudo revela ainda que, apesar do avanço da inteligência artificial, as recomendações humanas continuam essenciais na escolha de destinos que atendam aos desejos individuais.

Viajar está deixando de ser apenas uma oportunidade de conhecer lugares famosos ou visitar atrações turísticas. Cada vez mais, o que importa é a experiência vivida durante o percurso, seja para descansar, descobrir novos interesses ou simplesmente aproveitar alguns dias longe da rotina. E essa mudança de comportamento promete influenciar o turismo e as viagens em 2027.

Descubra as principais tendências de viagens para 2027, incluindo turismo de bem
Descubra as principais tendências de viagens para 2027, incluindo turismo de bem
Foto: estar, viagens solo e roteiros personalizados - Reprodução: anyaberkut / Bons Fluidos

É o que indica o Relatório de Tendências de Viagem 2027, desenvolvido pela rede Hilton em parceria com a Morning Consult. A pesquisa, que ouviu mais de 14 mil pessoas em 14 países, revela um interesse crescente por roteiros personalizados, experiências de bem-estar e viagens que proporcionem descobertas pessoais.

Outro destaque é a valorização da liberdade de escolha. Em vez de seguir itinerários rígidos ou tentar reproduzir experiências populares nas redes sociais, muitos viajantes desejam aproveitar as férias de acordo com seus próprios interesses. A seguir, conheça seis tendências apontadas pelo levantamento que devem ganhar espaço no próximo ano.

Viagens mais personalizadas e menos influenciadas 

Quem nunca incluiu uma atração no roteiro apenas porque ela parecia obrigatória? Embora seja comum querer conhecer os pontos turísticos mais famosos de um destino, essa preocupação pode acabar deixando de lado aquilo que realmente proporciona prazer.

Segundo a pesquisa, 54% dos participantes afirmam sentir uma cobrança para realizar determinadas atividades durante as férias, mesmo quando elas não correspondem às suas preferências. Além disso, 24% admitem organizar parte da viagem pensando em agradar os acompanhantes.

Para 2027, a tendência é que os roteiros sejam cada vez mais guiados por interesses individuais. Isso significa trocar a obrigação de visitar todos os monumentos por experiências que façam sentido para cada pessoa, como explorar cafeterias, conhecer bairros menos turísticos ou reservar uma tarde inteira para descansar. A proposta não é deixar de planejar, mas entender que uma boa viagem não precisa seguir o mesmo roteiro de todo mundo.

Viajar sozinho, mas continuar conectado às pessoas

As viagens solo também devem continuar em evidência. A possibilidade de escolher horários, passeios e destinos sem precisar negociar cada decisão é um dos atrativos desse estilo de turismo. Entretanto, viajar sem companhia não significa necessariamente buscar isolamento. O levantamento mostra que 31% dos entrevistados já viajaram sozinhos com a intenção de encontrar amigos ou familiares no destino. Esse cenário revela uma forma mais flexível de explorar o mundo: o viajante pode aproveitar momentos de independência e, ao mesmo tempo, cultivar vínculos afetivos durante o passeio.

Recomendações pessoais ganham força na era da inteligência artificial

A tecnologia tornou o planejamento de viagens mais simples. Hoje, ferramentas digitais conseguem sugerir destinos, organizar itinerários e apresentar opções de hospedagem em poucos segundos. Ainda assim, a opinião de outras pessoas continua tendo grande influência nas decisões.

De acordo com o relatório, 70% dos entrevistados confiam nas recomendações de profissionais que trabalham em hotéis para descobrir atrações e experiências locais. As relações familiares também aparecem nesse processo. Entre os viajantes sem filhos, um em cada cinco considera a própria mãe sua principal referência para receber conselhos sobre viagens.

Outro dado curioso envolve os programas de fidelidade: metade dos participantes afirma confiar mais nas sugestões de pessoas que possuem status nesses programas. Além disso, 29% reconhecem sentir inveja de amigos que conquistaram categorias superiores.

Os resultados sugerem que, mesmo com o avanço da inteligência artificial, o contato humano continua sendo valorizado, especialmente quando o objetivo é descobrir experiências que vão além dos roteiros tradicionais.

Experiências que continuam fazendo parte da vida depois das férias

Aprender uma receita típica, experimentar um esporte ou descobrir uma atividade artística durante uma viagem pode despertar interesses que permanecem mesmo depois do retorno para casa. Essa é outra tendência identificada pelo levantamento. Entre os participantes, 42% afirmam que alguma viagem já os levou a descobrir uma nova paixão ou atividade.

O interesse é especialmente expressivo entre os mais jovens. Segundo a pesquisa, integrantes da geração Z apresentam quase o dobro da probabilidade dos baby boomers de desejar voltar das férias com um hobby que possam continuar praticando.

Nesse contexto, oficinas gastronômicas, atividades culturais, experiências esportivas e vivências com comunidades locais podem ganhar ainda mais relevância. Mais do que colecionar fotografias, a ideia é voltar para casa com aprendizados, lembranças e até novos hábitos.

Bem-estar e contato com a natureza entram no roteiro

Se antes as férias eram frequentemente associadas a uma agenda cheia de passeios, agora o descanso também começa a ocupar um lugar de destaque. O chamado wellness tourism, ou turismo de bem-estar, reúne experiências voltadas ao relaxamento, ao autocuidado e à qualidade de vida. Isso pode incluir desde hospedagens próximas à natureza até atividades como meditação, caminhadas ao ar livre e banhos terapêuticos.

Segundo a pesquisa, 65% dos viajantes procuram experiências que ajudem a relaxar o corpo e aliviar a tensão. Outros 76% acreditam que viajar oferece oportunidades de recuperar as energias físicas e mentais de maneiras que nem sempre conseguem reproduzir em casa.

A natureza também desempenha um papel importante nessa busca. Para 79% dos entrevistados, respirar ar fresco e estar próximo de ambientes naturais são fatores essenciais para relaxar durante as férias. Já 54% dizem passar mais tempo em contato com a natureza quando viajam do que em sua rotina habitual.

As atividades relacionadas à água também despertam interesse. Cerca de 61% dos participantes demonstram disposição para experimentar práticas como imersões em água fria e piscinas terapêuticas durante uma viagem. Para 60%, essas experiências se tornam ainda mais interessantes quando compartilhadas.

A tendência mostra que o bem-estar durante as férias vai além dos tradicionais tratamentos de spa, envolvendo também momentos de convivência, tranquilidade e conexão com o ambiente.

Viagens mais curtas, mas repletas de experiências

Nem sempre é possível reservar várias semanas para conhecer um novo destino. Por isso, escapadas de poucos dias têm se tornado uma alternativa para quem deseja viajar sem precisar esperar pelas férias mais longas.

De acordo com o relatório, 24% dos entrevistados pretendem fazer mais viagens curtas em 2027. O conceito, entretanto, muda conforme a região: entre os brasileiros, uma viagem curta costuma durar menos de dois dias, enquanto, para os norte-americanos, pode se estender por três ou quatro dias.

A vontade de aproveitar o tempo disponível também influencia a programação. Segundo a pesquisa, 67% gostam de organizar roteiros com diversas experiências em um período reduzido. Além disso, 57% apreciam conhecer várias cidades durante a mesma viagem.

Mas existe um contraponto: 55% dos participantes afirmam sentir que perderam um dia de férias quando não realizam nenhuma atividade planejada. Esse comportamento revela um desafio importante para os próximos anos: encontrar um equilíbrio entre conhecer novos lugares e permitir momentos de descanso.

Afinal, aproveitar uma viagem não significa necessariamente preencher todos os horários. Às vezes, caminhar sem destino, descobrir um restaurante por acaso ou passar uma tarde tranquila pode ser tão marcante quanto visitar uma atração famosa.

O que essas tendências revelam sobre o futuro das viagens?

Mais do que indicar destinos ou atividades que estarão em alta, o levantamento aponta para uma transformação na maneira como as pessoas encaram o turismo. A busca por experiências pessoais, o interesse por viagens solo e a valorização do bem-estar mostram que as férias estão assumindo diferentes significados. Para alguns, representam uma oportunidade de aprender algo novo. Para outros, são uma chance de descansar, fortalecer relações ou recuperar o contato com a natureza.

Embora as preferências variem, existe um ponto em comum: a viagem ideal deixa de ser aquela que reúne o maior número de atrações e passa a ser a que melhor corresponde às necessidades e aos desejos de quem viaja. Assim, para 2027, a principal tendência talvez seja justamente essa: viajar com mais liberdade para escolher como aproveitar o próprio tempo.

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