França: projeto de orçamento que prevê corte de dois feriados mobiliza oposição
O primeiro-ministro francês, o centrista François Bayrou, tentará conter a forte resistência ao projeto de Orçamento para 2026, cujas discussões no Parlamento serão retomadas em setembro. A proposta prevê cortes de mais de € 43 bilhões, incluindo € 4 bilhões que devem ser economizados com a extinção de dois feriados nacionais.
O primeiro-ministro francês, François Bayrou, enfrenta forte resistência ao projeto de Orçamento para 2026, que propõe cortes de mais de € 43 bilhões, incluindo a extinção de dois feriados nacionais — o da Páscoa e o de 8 de maio — para economizar € 4 bilhões. A medida visa reduzir o déficit fiscal da França, que foi de 5,8% do PIB em 2024, para menos de 5%. A proposta gerou forte oposição de partidos, sindicatos e da opinião pública: 84% dos franceses são contra o fim dos feriados, segundo pesquisa divulgada pelo jornal Le Parisien.
O primeiro-ministro francês, o centrista François Bayrou, tentará conter a forte resistência ao projeto de Orçamento para 2026, cujas discussões no Parlamento serão retomadas em setembro. A proposta prevê cortes de mais de € 43 bilhões, incluindo € 4 bilhões que devem ser economizados com a extinção de dois feriados nacionais.
Na tarde desta segunda-feira,25, o primeiro-ministro detalhará as medidas em entrevista coletiva e espera convencer os franceses sobre a deterioração das contas públicas e a necessidade de limitar os gastos. O objetivo é reduzir o déficit da França para menos de 5% do PIB, após o país ter atingido 5,8% em 2024.
A oposição ao "choque de austeridade" mobiliza partidos políticos e sindicatos, que preveem um dia de greves de protestos no dia 10 de setembro. Um dos pontos mais criticados é o plano de extinguir dois feriados: o da Páscoa, celebrado na França em uma segunda-feira, e o de 8 de maio, data que marca o fim da Segunda Guerra Mundial.
O jornal Le Parisien destacou o tema na capa. "Os feriados são sagrados", diz a manchete, que apresenta os resultados de uma pesquisa de opinião. O levantamento mostra que 84% da população é contra a medida. Além disso, caso tivessem que escolher, os franceses prefeririam eliminar outras duas datas, ambas ligadas a celebrações cristãs: o Dia da Ascensão, em maio, e a Assunção de Maria, em agosto.
'Gota d'água' após reformas controversas
O jornal Le Figaro ressalta que este ponto do projeto conseguiu reunir críticas na oposição, na opinião pública e, cada vez mais, entre os aliados do governo. "O primeiro-ministro mais impopular das últimas décadas poderia ter privilegiado decisões consensuais", avalia o diário conservador. "Mas o centrista fez o contrário. Ao anunciar o fim de dois feriados como forma de reforçar o caixa do Estado e financiar o aumento do orçamento da defesa, o primeiro-ministro provocou reação imediata da oposição e dos sindicatos", aponta o texto.
No Libération, um deputado aliado do primeiro-ministro reconhece que "é complicado" pedir para os franceses trabalharem mais sem ganhar nada em troca. Um líder sindical avalia, nas páginas do jornal, que "estes dois feriados a menos são a gota d'água" depois da redução das vagas no funcionalismo público, a reforma do seguro-desemprego e das aposentadorias.
Na semana passada, François Bayrou foi recebido pelo presidente francês, Emmanuel Macron, para preparar a retomada das discussões sobre o projeto, após o recesso parlamentar de verão, em julho e agosto.
O primeiro-ministro é cobrado pela esquerda para aumentar a participação dos ricos no novo Orçamento. O seu partido, MoDem, garante que Bayrou "está pronto para tocar" neste ponto, e ressalta que a sigla votou contra o fim do Imposto sobre Fortunas, proposto e aprovado por Macron em 2017.
Comentários
Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.